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Premio

Maria Celeste recebeu o prêmio durante evento promovido pela Michigan State University, nos Estados Unidos 

A professora Maria Celeste Gonçalves-Vidigal, do Departamento de Agronomia (DAG), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), recebeu, no dia 31 de outubro, uma homenagem internacional (Award for Meritorius Services in Research and Education), durante o 24º Biennial Meeting of the Bean Improvement Cooperative, promovido pela Michigan State University, nos Estados Unidos, em reconhecimento às pesquisas com a cultura do feijão comum e a formação de recursos humanos. 

O Bean Improvement Cooperative (BIC) é uma organização que congrega os mais importantes professores e pesquisadores, de todo o mundo, que trabalham com cultura do feijão comum. Esta é a primeira vez que uma professora, cientista brasileira, recebe esta honraria do BIC. Em 1977, o professor Clibas Vieira, cientista da Universidade Federal de Viçosa (UFV), recebeu esta homenagem.

Bolsista de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Maria Celeste, nascida em Solidão, Pernambuco, iniciou a formação acadêmica na Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde obteve o título de Engenheira Agrônoma.

De 1975 a 1980, ela atuou como pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Em 1979, obteve o título de Magister Science e, em 1993, o título de Doctor Science, ambos em Genética e Melhoramento, pela UFV, sob a orientação e co-orientação dos professores Antonio Americo Cardoso e Clibas Vieira, respectivamente. 

Em 1981, Maria Celeste começou a carreira profissional como professora assistente do Departamento de Agronomia da UEM. A professora tem exercido uma importante liderança tanto no DAG quanto na UEM, contribuindo para a expansão e a manutenção da qualidade do ensino e da pesquisa. 

Nupagri

De 1994 a 2002, desempenhou papel fundamental na criação e consolidação dos programas de mestrado e de doutorado em Agronomia (PGA) e em Genética e Melhoramento (PGM). Os dois programas de Pós-Graduação já formaram mais de 900 profissionais, que estão atuando nas mais diversas regiões do Brasil, América Latina, América do Norte e África. 

Juntamente com o professor Pedro Soares Vidigal Filho, Maria Celeste atuou na criação do Núcleo de Pesquisa Aplicada a Agricultura (Nupagri), um dos mais importantes Núcleos de Pesquisa da UEM. 

Em nível nacional, a professora também tem contribuído intensamente, uma vez que ela é co-fundadora da Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas, da qual já foi presidente, além de ter sido idealizadora e membro da primeira comissão editorial da Revista Científica Crop Breeding and Applied Biotechnology. 

A professora também presidiu a Comissão Técnica Sul Brasileira de Feijão Comum. No início deste século, Era da Genômica, Maria Celeste, cuja formação era em Genética e Melhoramento Clássico, procurou se aperfeiçoar, realizando dois pós-doutorados. A professora atuou como Visiting Scholar, na Michigan State University, e como Visiting Scientist, na University of California, Davis. 

Até agora, publicou 120 artigos em revistas científicas, um capítulo de livro e editou um e-book. Os resultados de suas pesquisas tem sido veiculados em revistas internacionais, entre elas a Crop Science, Theoretical Applied Genetics, e BMC Genomics. 

Parcerias

Maria Celeste tem parcerias em seus projetos de pesquisa com pesquisadores nacionais e estrangeiros, com destaque, em nível internacional, para os professores James D. Kelly (Michigan State University), Paul L. Gepts (University of California, Davis), Maeli Melloto (UC Davis), e Quijian Song e Marcial A. Pastor-Corrales, do United States Department of Agriculture (ARS-USDA). 

Os resultados destas colaborações são inúmeros, sejam em publicações científicas ou em oportunidades para complementação de estudos de seus alunos (doutorado sanduíche no exterior). Este intercâmbio internacional tem beneficiado os estudantes do PGM e do PGA, orientados da professora, que tem propiciado a eles conhecerem e trabalharem com renomados cientistas internacionais. 

As pesquisas de Maria Celeste são desenvolvidas com recursos públicos obtidos por meio de projetos financiados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), CNPq e Fundação Araucária.

2017 11 17 Premio professora Celeste Vidigal MG 6469 site

O foco principal das pesquisas da professora é o melhoramento do feijão comum, visando resistência à doenças. Nesse contexto, Maria Celeste identificou, nomeou e mapeou vários genes em feijão comum, que conferem resistência à antracnose, mancha angular e ferrugem, e desenvolveu marcadores moleculares associados a esses genes de resistência. 

Dez desses genes são andinos, enquanto quatro são mesoamericanos. Ela também registrou quatro seqüências genômicas de Colletotrichum lindemuthianum no National Center for Biotechnology Information. O Programa de Melhoramento Genético do Feijão Comum da UEM, liderado pela professora, disponibilizou aos agricultores brasileiros duas novas cultivares de feijão comum resistentes à antracnose e à mancha angular: feijão carioca 'Flor Diniz UEM' e o feijão preto 'Awauna UEM', e desenvolveu dez linhagens de elevado desempenho. As novas cultivares foram registradas no Ministério da Agricultura e sua utilização propiciará lucros para a UEM e para a sociedade brasileira.