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Sáb, Set

Maringá Post
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Fachada da Reitoria da UEM / Chuniti Kawamura/ANPr

A Chapa 1- Acelera Uem nega envolvimento em qualquer ato de transfobia e racismo durante o primeiro debate para as eleições do DCE, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizado na quarta-feira (23/10).

Segundo relatos da estudante trans, os deboches e cochichos teriam começado no momento em que o nome da jovem foi anunciado.

No vídeo gravado por um estudante, é possível ver a acadêmica de filosofia, Caroline Ferreira da Silva, andando até o microfone para fazer a pergunta sobre cotas raciais. Durante o começo do vídeo pode-se escutar fortes aplausos e gritos de pessoas ao lado esquerdo do auditório.

Alguns membros da Acelera Uem, que estavam de camiseta azul do lado direito, não batem palmas, e também não fazem “cochichos” e “deboches”.

O vídeo apresentado pelos membros da Chapa 1 não contempla o anuncio do nome social da estudante, que seria o momento exato da denuncia. “O momento que o vídeo se inicia, a aluna ainda nem tinha levantado, e os aplausos da plateia, que se iniciaram logo após a chamada de seu nome estavam ecoando forte.”

A Acelera Uem afirma que esse fato comprova que o vídeo começado segundos depois do nome ter sido anunciado, já que “a estudante nem tinha chegado ao corredor” e, segundo eles, “os aplausos por si só corroboram pra essa afirmação”.

A chapa declara não ter em domínio quaisquer outras imagens relacionadas a este momento do debate, porém afirmam ser os mais interessados no esclarecimento dos fatos.

Segundo a Acelera Uem, se o ato de transfobia ou racismo fosse comprovado de fato, a chapa assumiria a postura de expulsar o membro praticante de tal conduta que eles condenam “radicalmente”.

A chapa também lembra que as acusações são serias e possuem consequências jurídicas, além disso, ressaltam que o ônus da prova é de responsabilidade de quem acusa.

O debate também foi transmitido por uma live da Comissão Eleitoral das eleições do DCE, mas que foi retirada do ar. Em nota, a Chapa Acelera Uem afirma ter solicitado a gravação e foi informa que a Comissão Eleitoral faz uma análise nas imagens.

Integrante da Acelera Uem foi hostilizada

Momentos antes da suposta ação transfóbica no debate, a estudante de direito Carollina Valério, integrante da Acelera Uem, também foi sorteada a fazer uma pergunta.

A estudante disse que encontrou dificuldades em se fazer escutar. No vídeo encaminhado por ela ao Maringá Post, os cochichos de participantes e apoiadores de outras chapas começaram a se intensificar no momento em que fazia a pergunta.

“Enquanto eu caminhava do local em que estava para o microfone, algumas pessoas se manifestaram entre si, achando ruim o fato de eu ter sido sorteada”, conta Carollina, que se sentiu mal com toda a situação.

A estudante ainda afirma que não entendeu a motivação dos murmúrios, já que ela tinha sido sorteada como qualquer outro poderia ter sido.

Para controlar o público, uma integrante da Comissão teve que intervir. “Por mais que esteja havendo divergências políticas é uma mulher que esta aqui presente, então por favor”, fala a integrante para restabelecer a ordem.

“Fiquei grata à membra da Comissão que interveio e reforçou meu direito de falar ali naquele momento, como mulher eleitora, e assim eu pude fazer a minha pergunta”.

O assunto ainda repercutiu nas redes sociais. Nesse tweet encaminhado ao Maringá Post, uma estudante satiriza o ocorrido com a integrante da Chapa 1.

Sobre a crítica a ser uma “mina de direita”, Carollina disse que não se intitula como “uma pessoa “de direita”. “Tenho pensamentos liberais, mas isso não é relevante para o debate, pois são opiniões minhas. Eu mereceria ser ouvida se fosse de direita, de esquerda, centro ou liberal”, disse.

Nota de esclarecimento sobre o ocorrido divulgada pela Acelera Uem

Viemos por meio deste elucidar todas as mentiras, calúnias e injúrias que estão sendo endereçadas a nossa chapa, a partir do ocorrido no debate entre as chapas na última quarta-feira (23/10).

Nós, membros da chapa 1, não cometemos nenhuma das condutas tipificadas na lei 7.716/89. O mínimo que se espera de quem acusa de racismo ou de transfobia (que agora, por decisão do STF se equipara ao racismo), é que prove, de maneira sólida, onde está a conduta racista. Racismo e transfobia não é o que é julgado na subjetividade, mas sim o que a lei define como tal. Fazer uma acusação seríssima dessas, sem apresentar provas, é muito grave, inclusive deslegitima as lutas tão necessárias nos dias de hoje.

Foram-nos atribuídos os adjetivos “racistas” e “transfóbicos”. Os motivos para tais acusações partem da última pergunta realizada no debate, justamente por não concordarem com nossa proposta em relação às cotas raciais. Não obstante, acusaram todos os membros de rir e debochar da autora da pergunta, por ela ser uma mulher trans (matéria publicada no site maringapost.com.br).

Em relação a acusação, causa estranhamento qualquer pessoa que se sinta ofendida, sendo protegida pela lei, não tomar as medidas judiciais cabíveis. Como por exemplo registrar boletim de ocorrência ou fazer um requerimento para a Comissão Eleitoral apurar o fato, bem como que eles disponibilizassem as imagens da “live” feita em seu Instagram, a qual não está mais disponível.

Além disso, poderia abrir um processo disciplinar contra os alunos ofensores. Neste momento, nossa chapa é a mais interessada em descobrir quem são os possíveis responsáveis pelo ato criminoso imputado a nós, já que nossas filmagens não mostram ofensa alguma.

Não obstante, no dia de hoje (29/10) fomos surpreendidos com uma nota de repúdio do Centro Acadêmico de Psicologia – CAPSI, que de maneira equivocada confirmou todos os boatos listados acima sem prova alguma. O post força tanto a barra que tenta transformar condutas que nada tem que ver com racismo ou transfobia, como fazer uma filmagem, em conduta racista. Vale lembrar, que a pessoa que estava realizando as filmagens não cometeu ato algum e não pertence a nossa chapa. Assim, repudiamos o que foi exposto no texto.

Gostaríamos de salientar que o CAPSI não tem o direito de ofender qualquer uma das 80 pessoas inscritas na chapa, pois são pessoas íntegras e inocentes, e devem ter seus direitos e dignidade resguardados.

Desde o início da campanha estamos sofrendo ataques antidemocráticos, entre eles:

– Nossas faixas foram arrancadas de seus lugares em atos de vandalismo, sendo que uma delas continua desaparecida.

-Tweets de membros de outras chapas e apoiadores, acusando-nos de “preconceituosos de merda”,”nojentos”, “escória da humanidade”, “nazistas”, “branquelos racistas”, entre outros;

Todos esses ocorridos foram notificados para a Comissão Eleitoral, porém ainda nenhuma ação foi realizada.

https://maringapost.com.br/cidade/2019/10/31/acelera-uem-nega-atos-de-transfobia-e-racismo-em-debate-das-eleicoes-do-dce-nota-fala-em-ataques-antidemocraticos/