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A novidade foi criada em Sobral por pesquisadores da UVA. Comparados ao carvão ativado, hidrogéis biodegradáveis devem ser solução mais eficaz e barata para retirar poluentes da água.

Com o retorno dos hidrogéis na última década, as aplicações foram melhoradas. É o caso do uso no tratamento de efluentes na indústria química, removendo corantes e metais pesados para possibilidade de reúso da água. Versão biodegradável dos polímeros foi criada por pesquisadores da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral (região Norte do Estado). 

Sobre o assunto

Por falta de verba, 750 bolsas acadêmicas não são renovadas no Ceará.

Coordenador do projeto, o professor Francisco Helder Rodrigues, do Departamento de Química da UVA, explica que com os hidrogéis, a remoção de resíduos da água usada na indústria ficaria mais barata e mais eficaz, se comparada ao uso de carvão ativado. “Com o carbono, é difícil separá-lo do contaminante, mas ainda é a técnica de purificação mais usada, devido a sua estrutura porosa, alta eficiência e capacidade de adsorção para alguns contaminantes”, explica Helder. 

A pesquisa atende a preocupação mundial, de acordo com o professor, já que os efluentes industriais têm alto grau de toxidade e, segundo a Unesco, o descarte sem tratamento tem impacto nos recursos hídricos, na saúde humana e no meio ambiente. Porém, após o tratamento da água, conforme Helder, é possível reutilizar a água na própria indústria, o que traz benefícios financeiros ao reduzir custos de produção.

Os hidrogéis (também usados em fraldas descartáveis) são formados por redes tridimensionais de polímeros capazes de absorver e reter moléculas de água e contaminante - que, na indústria química, são íons metálicos e/ou corantes iônicos. Além de outros materiais, os polímeros naturais biodegradáveis, podem ser retirados da carapaça de crustáceos como caranguejo e camarão (de onde é retirada a quitosana). 

Pesquisa

Os estudos continuam para determinar viabilidade do uso dos hidrogéis em grande escala. A expectativa é de competitividade no mercado de tratamento de efluentes industriais. O projeto é financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) através do edital da Bolsa de Produtividade em Pesquisa e Estímulo à Interiorização. São parceiras a Universidade Estadual de Maringá, a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Saiba Mais

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil gerou 1.065 m³/s de águas residuais, divididos entre abastecimento humano urbano (402 m³/s), irrigação (340 m³/s), indústria (277 m³/s), pecuária (27 m³/s) e abastecimento humano rural (19 m³/s).

Já a quantidade de águas residuais que passam por tratamento é pequena. Segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2017, 80% dessas águas voltam para a natureza sem serem tratadas. No Brasil, a Resolução 430/2011 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) prevê que o lançamento de efluentes nas águas de rios ou no solo só pode ser feito mediante tratamento.

https://www.opovo.com.br/noticias/ceara/sobral/2017/12/material-biodegradavel-e-desenvolvido-para-tratamento-de-agua-na-indus.html