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Folha de Londrina
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Comerciantes prometem reagir à proibição da venda e consumo de bebidas durante vestibular

 

Arquivo FOLHA

Argumento dos defensores da lei é que a bebida alcoólica estimula o barulho e ‘‘badernas’’ pelas ruas
Aprovado por unanimidade na noite da última quinta-feira, o projeto de lei que determina a proibição da venda e o consumo de bebidas alcoólicas em bares, lanchonetes e até por ambulantes durante o vestibular de inverno na Universidade Estadual de Maringá (UEM) está provocando diferentes reações. Comerciantes reclamam e querem derrubar a lei, que foi sancionada ontem mesmo pelo Executivo.

O projeto foi apresentado por oito dos 15 vereadores de Maringá e a proibição vale para o perímetro que corresponde ao quadrilátero entre a Avenida Colombo e a Rua Vitória, e entre a Avenida Morangueira e a Rua Quintino Bocaiúva. Um dos vereadores responsáveis pelo projeto, Walter Guerlles, afirmou que a lei ajudará a conter os abusos. ''É importante para manter a ordem.''

Com a lei, cerca de 60 bares e lanchonetes que ficam ao redor da UEM, na Zona 7, estarão proibidos de comercializar bebida alcoólica 24 horas antes do vestibular, que começa no próximo dia 6, até a meia-noite do último dia do concurso, no dia 8 de julho. Os comerciantes poderão abrir as portas, mas quem for pego vendendo bebida alcóolica será multado em R$ 5 mil.

Para os ambulantes que ficam nos arredores da universidade, a multa será de R$ 500. Todas as bebidas serão apreendidas e o estudante que for flagrado consumindo terá a bebida descartada imediatamente. A medida foi tomada depois que vários moradores da região reclamaram de barulho em excesso e confusões durante o período do concurso, em função da aglomeração de pessoas.

O vestibular da UEM atrai uma média de 24 mil estudantes, 90% deles na faixa dos 18 anos de idade. ''Esses estudantes prestam vestibulares em várias instituições espalhadas pela cidade, mas depois das provas se concentram nos bares e lanchonetes em frente à universidade'', afirma o secretário do Meio Ambiente do Município, Dinis Afonso, que integra a Força Tarefa, grupo que vai trabalhar na fiscalização dos estabelecimentos.

''Nesses dias (de vestibular) os moradores nem conseguem entrar nas casas, devido ao número de carros estacionados em frente aos portões. Os estudantes não respeitam os moradores, fazem baderna, ouvem som alto e o pior, consomem muita bebida alcoólica, o que acaba gerando mais confusão'', afirma.

No ano passado, segundo ele, um grupo de oito vestibulandos foi detido após provocar uma grande confusão na rua. ''Queremos evitar esses problemas e garantir a ordem neste vestibular'', afirmou o secretário. ''Os estudantes são muito bem-vindos a Maringá, mas somente aqueles que querem estudar. Os que querem apenas badernar não serão tolerados. Somos a favor da população que precisa de sossego'', sentencia.

A preocupação, segundo o secretário, é que a bebida gera outros problemas mais sérios. ''As estatísticas confirmam que aumenta o índice de vandalismo, com depredação de placas e estabelecimentos, acidentes e brigas durante esse período de vestibular. Temos que conter essas situações, até mesmo porque a bebida funciona como um combustível para estes excessos.'' Outra preocupação, segundo o secretário, ''é que a bebida é uma porta de entrada para drogas mais pesadas''.


Reportagem Local