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05
Dom, Jul

As sete universidades estaduais do Paraná não poderão desenvolver novos projetos até dezembro deste ano e ainda podem sofrer dificuldades para a compra de insumos para o início do próximo ano letivo. Um decreto publicado em junho pelo governo do estado proíbe a realização de procedimentos licitatórios até o fim do ano, bem como a celebração de novos contratos e aditivos custeados com recursos do governo.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por exemplo, chegou a publicar um ofício avisando que a instituição terá de reduzir as despesas. O documento orienta aos profissionais da universidade para que não sejam praticados quaisquer atos de administração que gerem despesas públicas.

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / Tudo programado, diz GomesAmpliar imagem

Tudo programado, diz Gomes

Na UEL, foco é garantir o básico para funcionar

Marcelo Frazão, do Jornal de Londrina

Apesar do decreto que dificulta novos projetos neste ano, a maior preocupação continua sendo o pagamento de despesas como água, luz, telefone e salários dos funcionários na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Ontem, em Curitiba, durante uma reunião com representantes de todas as universidades do Paraná, a reitora Berenice Jordão foi informada de que deverá negociar com a Secretaria Estadual de Fazenda cada despesa da UEL. “O governo anunciou que vai avaliar individualmente cada caso para liberar recursos”, afirmou.

Segundo ela, o quadro de falta de dinheiro pode afetar mais diretamente algumas bolsas de estudantes pagos com recursos do governo e da própria universidade. “O fato é que a situação não está nada fácil.”

Sem restrições

Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UEL, Amauri Alfieri, os projetos em andamento não devem sofrer cortes e restrições de forma direta.

A principal razão é que os orçamentos de pesquisa estão garantidos, em grande parte, por fundos federais como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Recursos

No âmbito estadual e em relação a novos projetos, a expectativa é de que a Fundação Araucária, principal fonte de dinheiro para as universidades, esteja contornando a crise com a abertura, na semana passada, de 12 editais para financiar iniciativas científicas em todo o estado. Um alento.

Financiamento

“Os editais para inscrever propostas eram esperados desde março. A comunidade científica já tinha dúvidas se eles realmente viriam, mas estão aí”, afirma Alfieri.

Entre os 12 editais abertos pela Fundação Araucária, há a possibilidade de financiar eventos técnico-científicos, equipamentos e contratações de apoio para pesquisas e bolsas.

Obrigação

Lei veda dívidas para o novo governo, mas crise vem desde o ano passado

A Lei de Responsabilidade Fiscal, na qual foi embasado o decreto do governo do estado, afirma que é vedado ao titular de Poder Executivo, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para esse efeito.

Em junho, a Gazeta do Povo publicou uma reportagem mostrando que as dificuldades de caixa que o governo do Paraná enfrenta desde o ano passado têm impactado diretamente no sistema estadual de Ciência & Tecnologia. Pesquisadores relataram atrasos no pagamento de bolsas por parte da Fundação Araucária. Apesar disso, o governo nega que o decreto publicado em junho tenha relação com as dificuldades financeiras do estado.

A explicação do governo é que a medida visa atender à Lei de Responsabilidade Fiscal, com o objetivo de não deixar eventuais contas em aberto para a próxima gestão. Não podemos contratar algo sem garantia financeira, já que a gestão está em fase final. Tudo está programado e não irá afetar as universidades”, afirma o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes.

Risco às pesquisas

A primeira vice-presidente da Regional Sul do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Maria Sueli Soares, afirma que geralmente as instituições já enfrentam dificuldades financeiras e o decreto compromete ainda mais novas pesquisas e também a compra de equipamentos durante esse período. “A gente já tem dificuldades para conseguir verbas para pesquisas. O cobertor é curto. Todo e qualquer corte é muito sentido nas universidades”, ressalta.

O decreto do governo do estado abre exceção para a compra de equipamentos e suprimentos apenas para a área de Saúde e também para os contratos relativos à manutenção de bens públicos, como energia, água, telefonia, vigilância e conservação. Não especifica nenhuma exceção para o setor de Educação.

Assim, em uma eventual compra que não está programada, as instituições precisam enviar um pedido e aguardar a análise da Secretaria Estadual da Fazenda, que verificará as condições do caixa do governo para autorizar a aquisição.

Contas a pagar

O secretário João Carlos Gomes ressalta que os projetos que já estavam planejados terão suas verbas garantidas. “Caso surjam novos [projetos] ou algum imprevisto, é necessária a autorização da Fazenda”, reforça.

Todavia, caso a Fazenda não autorize, as eventuais compras só poderão ser realizadas com o orçamento próprio de cada universidade, que em grande parte é oriundo das taxas dos vestibulares ou de provas elaboradas para concursos públicos de outros órgãos.

Ele comenta ainda que os insumos para o próximo ano letivo já deveriam ter sido licitados. “Grande parte das instituições, geralmente, realiza licitações durante o primeiro semestre para garantir insumos, como material de laboratório ou alimentos para o Restaurante Universitário”, diz.

Segundo ele, é natural que as instituições procurem reduzir as despesas. “A diminuição de gastos faz parte do serviço público”, afirma o secretário.

Reitor da UEPG diz que “não terá problemas”

O reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Luciano Vargas, afirma que o documento elaborado pela própria universidade determinando a redução de gastos públicos foi idealizado com o objetivo de “manter a instituição funcionando”. No entanto, ele não acredita que a proibição de novas contratações trará prejuízos significativos à universidade. “Dá um impacto maior à medida que não conseguiremos, a partir de agora, novas licitações para 2015”, afirma.

Apesar disso, ele salienta que essa medida é normal. “Isso afeta apenas despesas novas e não as que já estão programadas. Para as que já estão programadas desde o começo do ano, teremos recursos garantidos. Sabendo que isso deveria acontecer, procuramos prever as necessidades de forma antecipada”, ressalta.

Outras verbas

As universidades públicas do Paraná vão receber quase de R$ 5,5 milhões para aquisição de equipamentos destinados à melhoria da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica de programas de pós-graduação das instituições. Os repasses foram realizados pelo governo federal, através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Estadual de Maringá são as que receberão maior repasse, com cerca de R$ 1,5 milhão cada uma.

Fundo Paraná
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) repassou até o início de julho 60% do total das verbas do Fundo Paraná para apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico do estado, com o financiamento de programas e projetos de pesquisas. Dessa forma, as seis universidades já receberam, juntas, perto de R$ 23 milhões. “Esse valor já foi garantido para as instituições e o restante será repassado até o fim do ano”, afirma o secretário João Carlos Gomes.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1484082&tit=Governo-proibe-as-7-universidades-estaduais-de-fazer-novas-despesas 

 

Maringá, no Norte do Para­­ná, deverá contar com um terminal intermodal nos próximos anos. Pelo projeto, serão 22 mil metros quadrados de construção para atender todas as linhas urbanas e metropolitanas. Além disso, parte dos passageiros deverá ser transportada pela área ferroviária que terá dois pares de trilhos. A prefeitura espera lançar o edital de licitação até dezembro.

A obra, estimada em R$ 69 milhões, teve o financiamento recém aprovado pela Caixa Econômica Federal (CEF) e faz parte do Programa Pró-Transporte, do Ministério das Cidades. Segundo o secretário municipal de Planejamento, Laércio Barbão, R$ 63 milhões serão investidos no terminal, outros R$ 6 milhões destinados para duas obras viárias de ligação entre bairros da zona Sul e zona Norte.

Licitação

O secretário municipal de Planejamento de Maringá, Laércio Barbão, explica que o município deve entregar o projeto completo à Caixa Econômica Federal ainda neste mês, para, em seguida, realizar o processo de licitação para a contratação da empresa que fará os serviços. Ele reforça que a ideia é de que até dezembro deste ano essa fase já esteja concluída. Na tela do computador, porém, segundo ele, o terminal já ganhou forma. “Já conseguimos visualizá-lo em terceira dimensão e ter a real ideia do projeto arquitetônico.”

Pelo projeto, a estrutura do intermodal ficará ao lado do atual terminal de transporte urbano, no centro da cidade. A ideia é unir terminal urbano, o metropolitano e uma estação de passageiros, com corredores de ônibus. Isso ocupa o quadrilátero das principais avenidas centrais: Duque de Caxias, Herval, Horácio Raccanello Filho e Tamandaré.

“Esse projeto foi pensado desde os primeiros rabiscos para receber modais de transporte, ainda mais agora com o projeto do Trem-Pé-Vermelho”, observa o secretário, referindo-se à autorização do Ministério das Cidades na semana passada para a elaboração do projeto executivo que prevê a ligação entre cidades das regiões Norte e Noroeste do estado, incluindo Maringá, por meio dos trilhos.

Para a doutora em Ar­­­quitetura e Urbanismo e coordenadora do curso na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Fabíola Cordovil, o projeto é uma ação de mudança, mas não deve ser encarado como solução única para resolver os gargalos do trânsito na cidade. Segundo ela, é preciso que haja mudanças principalmente na qualidade do transporte coletivo.

“Não adianta construir algo grandioso sem que se exija da empresa de transporte coletivo melhorias nos serviços. Do contrário, o cidadão não vai achar vantajoso pegar um ônibus lotado, pagando caro, porque existe um terminal que o leve de um ponto ao outro da cidade.”

Em visita recente à cidade, o médico patologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Saldiva, pesquisador nas áreas de doenças respiratórias e saúde ambiental e ecologia aplicada, ministrou uma palestra sobre as doenças causadas pela poluição ambiental, e na ocasião, também apontou a integração do transporte público como a solução mais viável para desafogar o trânsito e estimular o não uso do carro particular.

Durante a palestra, a discussão do terminal intermodal foi levantada e apontada pelo professor como um passo importante. “Não estudei a cidade para ir além, mas posso afirmar que em cidades inglesas, por exemplo, houve priorização total do transporte público e temos a prova que deu certo. Se isso está sendo levado em conta em Maringá, já é um grande avanço.”

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1481369&tit=Maringa-tera-terminal-intermodal 

 

As dificuldades de caixa que o governo do Paraná vem enfrentando desde o ano passado têm impactado diretamente no sistema estadual de Ciência & Tecnologia (C&T). Pesquisadores relatam atrasos no pagamento de bolsas por parte da Fundação Araucária. A instituição, responsável pelo fomento à pesquisa, diminuiu consideravelmente o número de editais e seleções em 2014, assim como os valores destinados para auxílios a estudantes. De todas as vinculações constitucionais que são obrigatórias ao governo estadual, a área de C&T foi a mais prejudicada, conforme os dados do primeiro quadrimestre apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa no fim de maio.

INFOGRÁFICO: Veja a situação das despesas da Secretaria de Ciência e Tecnologia em 2014

"Falta de agenda atrapalha cientistas"

Confira entrevista completa com Sidnei Munhoz, historiador

Abaixo do mínimo

No total, 0,79% da receita tributária líquida foi o valor destinado à Ciência e Tecnologia pelo governo do Paraná no primeiro quadrimestre de 2014. Pela legislação estadual, é obrigatório o repasse de 2% da receita tributária. Os dados foram apresentados pelo secretário da Fazenda, Luiz Eduardo Sebastiani, na Assembleia Legislativa, em 28 de maio. Em anos anteriores o Paraná também não cumpriu a lei que determina o porcentual mínimo de repasses de recursos para área de Ciência e Tecnologia.

Entre janeiro e maio deste ano, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) teve R$ 5,4 milhões em despesas correntes empenhadas, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2013. Dentre as principais reduções está o auxílio financeiro a estudantes, que caiu de R$ 2,7 milhões para R$ 1,8 milhão (-32%). Alguns estudantes de mestrado da Universidade Estadual de Maringá (UEM), por exemplo, que preferem manter o anonimato, relatam a ocorrência de meses de atraso no pagamento de bolsas.

Outra dificuldade apontada por pesquisadores é a falta de editais de fomento à pesquisa – para apoio à organização de eventos ou projetos científicos variados por parte da Fundação Araucária. A primeira chamada pública de 2014 foi aberta recentemente, apenas em 17 de junho. Na mesma época, em 2013, já havia dez editais abertos; em 2012, quatro; em 2011, primeiro ano da gestão de Beto Richa (2011), havia dois editais até meados de junho.

A burocracia também é um entrave para a pesquisa, dizem cientistas do Paraná. O Tribunal de Contas do Estado exige relatórios a cada dois meses, e não permite o pagamento de bolsas diretamente nas contas de pessoas físicas.

O número de processos seletivos da fundação também está mais baixo do que nos anos anteriores: quatro em 2014, contra uma média de oito. Além disso, a instituição teve dificuldades para finalizar um edital lançado em agosto de 2012, por falta de professores pareceristas.

Pareceres

A dificuldade em conseguir avaliações e pareceres de especialistas é uma das críticas feitas pelo historiador Sidnei Munhoz (leia entrevista abaixo). Ele pediu exoneração do cargo de coordenador da área de Ciências Humanas da Fundação Araucária em abril deste ano, após divergir de decisões tomadas pela diretoria. Assim como Munhoz, outros pesquisadores estão descontentes, mas preferem manter as reclamações em grupos fechados. Contudo, problemas na Fundação se tornaram de conhecimento público após vazar na internet uma carta relatando a situação.

Pagamentos estão em dia e verba subiu, diz Fundação

O presidente da Fundação Araucária (FA), Paulo Roberto Brofman, afirmou que, da parte da instituição, não houve queda nos valores pagos para bolsas de pesquisa. Segundo ele, a fundação mantém cerca de 4,4 mil bolsas, que são pagas pontualmente. Brofman explica que eventuais atrasos decorrem de problemas na documentação das universidades, que são responsáveis pelos pagamentos. “Habitualmente pagamos com antecedência de três meses às universidades para que isso não ocorra.”

O presidente da FA ressaltou que o valor do orçamento da instituição tem crescido a cada ano, assim como as parcerias com outras instituições. “Isso permitiu que investíssemos valores R$ 96 milhões em 2013, que foram colocados à disposição das redes de tecnologia e inovação, um valor recorde”.

A respeito das críticas feitas pelo historiador Sidnei Munhoz, Brofman disse que os comitês de áreas foram os responsáveis pela definição dos editais e do sistema de pontuação. “Como faltava análise de 18 projetos do comitê de Humanas, insistimos com os coordenadores para que avaliassem. Ficaram oito meses sem ver o protocolo. No final, aos 46 do segundo tempo quis mudar tudo.” Segundo ele, a situação já foi resolvida. “Disse claramente ao comitê: a palavra final é de vocês. Se quiserem revisar, adaptem.”

Brofman afirmou que não há cronograma definido, para não ocorrer desperdício de dinheiro. “Para fazer uma reunião dessas gastamos R$ 100 mil, R$ 200 mil reais, porque vem gente do Paraná inteiro. A gente só convoca reunião quando tem que julgar um determinado edital.” A respeito do trabalho de pontuação dos currículos, Brofman disse que as reclamações só foram feitas recentemente, e que já foram tomadas providências para melhorar o sistema.

O presidente da fundação esclareceu que já foram feitas solicitações ao Tribunal de Contas para mudanças na prestação de contas. “A cada dois meses temos de enviar cerca de 2 mil relatórios ao TC. As outras fundações fazem prestações de conta semestral ou anual. Já tentamos mudar, mas as regras fazem parte do regimento interno do TC.”

Secretaria

O secretário de Ciência e Tecnologia, João Carlos Gomes, disse que o orçamento da área foi regularizado, e que a pasta já recebeu 50% dos recursos previstos para todo o ano. "Houve um atraso nas liberações, e com isso, atraso nos empenhos. Mas agora estamos trabalhando para executar os recursos", afirmou.

Gomes afirmou que a secretaria não se sente preterida pelo fato de o governo estadual não ter cumprido o porcentual mínimo de investimento no primeiro quadrimestre. “Em hipótese alguma. O governador Beto Richa tem tratado com muita responsabilidade os investimentos nas universidades e na Ciência e Tecnologia do estado.”

Veja outros tópicos abordados pelo presidente da Fundação Araucária, Paulo Brofman:

• Pareceristas

“Do comitê de Ciências Humanas, de 34 membros, apenas dois se candidataram ao edital de bolsa produtividade e não poderiam dar parecer. Demoramos para dar o resultado por não ter pareceristas, inclusive do grupo do professor Sidnei Munhoz, não respondem.”

• Pró-labore a pareceristas de fora

“Nosso Tribunal de Contas não permite. Mas todos os convidados são bolsistas ou têm projetos financiados pela Fundação Araucária. Eu sou avaliador, nunca recebi para avaliar. Avalio frequentemente porque faz parte da minha formação do pesquisador.”

• Resultado do Edital nº 21/2012

“A situação está resolvida. Foram escolhidos novos coordenadores para o Comitê de Humanas. Demos liberdade para reverem tudo. Mesmo os que já tinham sido selecionados. Mais democrático do que isso não posso ser. Os professores que questionaram ficaram oito meses sem ver o protocolo. No final, aos 46 do segundo tempo, quiseram mudar todo um jogo envolvendo todos os outros comitês.”

• Autonomia institucional e financeira

“Fui indicado pelo governo, mas, como pesquisador, tenho total autonomia. Na realidade o governo indica, mas quem aprova o presidente da fundação é o Conselho Superior da Fundação Araucária, presidido pelo secretário e composto por 12 pessoas de diferentes áreas da ciência do Paraná. A não ser pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), todas as outras, até onde conheço, são indicação do governo estadual. Seria ideal se não houvesse coincidência de mandatos, mas a atual regra do jogo não tem interferido em nada.”

• Falta de cronograma de reuniões

“Para fazer uma reunião com os comitês todos gastamos R$ 100 mil, R$ 200 mil reais, porque vem gente do Paraná inteiro. A gente só convoca reunião quando tem que julgar um determinado edital. Como não tinha coisas estabelecidas, não lançamos o cronograma. Os coordenadores de área, se quiserem, podem propor, eles que fazem os editais de bolsa, eles que fazem o regimento interno.”

De que o Paraná precisa para deslanchar no fomento à pesquisa científica? Deixe seu comentário abaixo e participe do debate.


 

Oportunidade de aprendizado na prática, a participação no Movimento Empresa Júnior (MEJ) pode ser também o primeiro passo para uma carreira empreendedora. Constituídas exclusivamente por estudantes de graduação, as empresas juniores (EJs) prestam serviços para empresas externas na área de atuação dos alunos, mediante orientação docente. No Brasil, os números da Federação de Empresas Juniores do Paraná (Fejepar) contabilizam 350 EJs e mais de 7,5 mil empresários juniores em atividade. No estado, são cerca de mil estudantes e 50 empresas ligadas ao movimento.

Criado na França, na década de 1960, o MEJ tinha foco na complementação acadêmica dos estudantes. Difundida em outros países nos anos seguintes, a prática é hoje considerada uma chance para o desenvolvimento de projetos que gerem impacto na sociedade, comenta o presidente da Fejepar, Caio Henrique Pitta de Souza. “Tendo contato com uma cultura empreendedora, o estudante vê o potencial que o empreendedorismo tem e leva isso para onde for trabalhar. Se mostra como uma pessoa ativa, alguém que pode fazer algo inovador”, diz.

Benefício

Envolvimento com empresa júnior é vitrine para o mercado

Antônio Costa/ Gazeta do Povo

O envolvimento com uma empresa júnior (EJ) torna-se uma vitrine para o estudante. Diante do contato com professores, especialistas e empresas, é comum que surjam convites de trabalho aos empresários juniores e aprovações em processos seletivos. A acadêmica de Administração Lyha Fernandes José (foto), 20 anos, preside o Núcleo de Empresas Juniores da UEL e conseguiu vaga em uma empresa de consultoria graças à sua atuação na Business Consultoria, uma das 17 EJs da universidade.

Lyha entrou na EJ em 2011, um mês após entrar na UEL. A Business Consultoria foi fundada em 1990 e é a primeira empresa júnior do Sul do país. Com 23 membros, atende nas áreas de gestão de pessoas, finanças, marketing e estratégia. Assim como Lyha, os estudantes que entraram na Business na mesma época que ela também estão encaminhados. “Hoje não temos pessoas que atuaram na Business sem emprego”, comenta.

Segundo Lyha, o aluno que ingressa em uma EJ costuma ter mais acesso a treinamentos, além de conteúdos que só seriam apresentados em séries mais avançadas. “Criamos responsabilidades e aprendemos até a falar melhor em público”, conclui. (AL)

Consequência

O contato com o mercado de trabalho antes da formatura é visto pelo professor de Gestão de Pessoas, Marciano de Almeida Cunha, da PUCPR, como um dos grandes motes das empresas juniores. Para ele, mais do que apresentar o empreendedorismo ao estudante, as EJs são um momento para o exercício profissional balizado por professores da área. “O estudante tem autonomia, mas há um suporte educacional por trás para o caso de questões que não consegue resolver”, afirma. Ele lembra que, para atender aos desafios que chegam com os clientes, é preciso estudar e pesquisar. “A participação tem um impacto na performance do estudante. Quanto melhor resolve as demandas, melhor é seu desempenho acadêmico”. Cunha analisa que a empresa júnior pode ajudar a desenvolver as capacidades de liderança, autogestão e gerenciamento de conhecimentos. “Tudo é feito por eles [estudantes] e para eles. A proposta é prepará-los para o trabalho e não necessariamente torná-los empreendedores. Isso será uma consequência”, pontua.

Souza explica que, após ingressar em uma EJ, o acadêmico passa a ter experiência em gestão, entende como funciona uma organização e as ferramentas que poderá usar na área.

Parcerias

Essa dinâmica tende a gerar mais segurança e a desenhar contatos profissionais para o recém-formado, observa Luiz Hamilton Schlichting Ribas, 25 anos, ex-membro da JR Consultoria, a empresa júnior dos cursos de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR. Formado em Economia, ele abriu com mais dois colegas de EJ – Alexandre Schmidt de Amorim, 24 anos, e Diego Tutuli Moreira, 25 anos – uma organização que atende escolas de educação especial em Curitiba. A Ação Social para Igualdade das Diferenças (Asid) prestou consultoria para 21 instituições desde 2010.

Com metodologia criada pelos sócios, o trabalho consiste no diagnóstico e no desenvolvimento de estratégias que ajudem a fortalecer a estrutura e a gestão das escolas. Gratuitas para as instituições, as intervenções são bancadas com o apoio de empresas parceiras. “O aprendizado na empresa júnior foi primordial para isso”, relata Ribas.

Os administradores Mateus Benedeti e Manoel Gonçalves de Oliveira Neto, ambos com 29 anos, também reconheceram a vocação para o empreendedorismo e a oportunidade de uma parceria em uma EJ. Ex-membros da Business Consultoria, do curso de Administração da UEL, eles tornaram-se sócios em uma imobiliária. “A vivência adquirida na empresa júnior não tem preço. Lá, fizemos um trabalho voluntário para treinar pessoas carentes para o mercado de trabalho e até hoje aplicamos alguns pontos no treinamento de novos colaboradores”, assinala Benedeti.


Participação em EJs garante aprendizado na área de negócios

A experiência der três anos na empresa júnior do curso de Engenharia Elétrica da UEL inspirou o estudante Luiz Ricardo Zeni da Silva, 26 anos, a direcionar a atuação profissional para o campo dos projetos elétricos em obras de pequeno porte. Ele já desenvolveu iniciativas em parceria com outro empresário júnior e vislumbra aderir à atividade empresarial após a formatura. “Dentro da empresa júnior fizemos projetos para a universidade, como o do restaurante universitário. Fomos ganhando conhecimento e vimos que temos capacidade para isso”, conta.

Para o jovem, a experiência garantiu mais conhecimento técnico e de conteúdos que não ficam restritos à engenharia. “Pude conhecer como funciona uma gestão financeira, como lidar com funcionários, impostos e o planejamento estratégico de uma empresa aliado à sua visão e missão”, analisa.

Outras áreas

A diretora de Marketing da Teófilos, empresa júnior do curso de Farmácia da UEM, Lívia Franchin de Viccari, 21 anos, comenta que estudantes que não são graduandos da área de negócios podem ter um aprendizado ainda mais amplo no Movimento Empresa Júnior (MEJ). “Conhecimentos sobre gestão de negócios, por exemplo, nós aprendemos com outras empresas juniores”, diz ela, ao apontar que é cada vez mais comum a criação de EJs em áreas distantes da Administração, Ciências Contábeis ou Economia.

No caso da Teófilos, as consultorias técnicas são voltadas ao varejo farmacêutico. Um dos principais projetos é o “Pró-Remédio”, ação que visa o descarte correto de medicamentos vencidos. A EJ foi criada há nove anos e conta hoje com 33 membros ativos.

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-universidade/carreira/conteudo.phtml?tl=1&id=1461351&tit=Empreendedorismo-aprendido-na-pratica- 

Os nomes de 50 vigilantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) foram usados indevidamente pelo deputado licenciado André Vargas (PT-PR) na prestação de contas referente às campanha de 2006 entregue à Justiça Eleitoral.

Eles aparecem como doadores da campanha de Vargas com valores que variam entre R$ 90 e R$ 180, mas negaram ter contribuído. Um ano depois de as contas do deputado terem sido apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, um grupo de vigilantes se sentiu prejudicado ao ver seus nomes associados ao do petista e decidiu mover ações de danos morais contra Vargas.

O deputado foi condenado pelo 2º Juizado Especial Cível de Maringá a pagar indenizações a 50 deles. Vargas chegou a contestar as decisões, mas a Turma Recursal rejeitou os recursos e aumentou em oito vezes o valor das indenizações em julho de 2010. Os integrantes da Turma Recursal entenderam que o valor fixado inicialmente não atendia à “finalidade punitiva, pedagógica e compensatória” da punição.

Para garantir o pagamento das indenizações, a Justiça chegou a bloquear contas bancárias de Vargas por meio de um convênio com o Banco Central. Segundo o juizado, os valores pagos pelo deputado variam de acordo com cada caso, mas são de R$ 4 mil em média - cerca de R$ 200 mil no total. O patrimônio declarado por Vargas à Justiça Eleitoral em 2010 é de R$ 572 mil. De acordo com o juizado, 39 indenizações foram pagas e 11 estão em fase de execução.

Correção

Até hoje o caso ficou restrito ao âmbito do juizado cível de Maringá, sem desdobramentos na Justiça Eleitoral. Em março de 2008, Vargas chegou a enviar uma correção de sua prestação de contas ao TRE-PR na qual reconhecia o erro e pedia a exclusão dos nomes dos vigilantes da lista de doadores. De acordo com pessoas próximas ao deputado licenciado, a correção pode ter livrado Vargas de complicações em outras esferas judiciais.

Em 2006, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez, o petista declarou ter gasto R$ 299 mil. As contas da campanha foram aprovadas pelo TRE.

O caso dos vigilantes da UEM só veio à tona em 2008, quando o deputado disputou a prefeitura de Londrina e teve apenas 5% dos votos. Na época, Vargas distribuiu uma nota sugerindo que os vigilantes tinham motivações eleitorais e atribuiu a inclusão indevida dos nomes a uma falha burocrática. Segundo ele, organizadores de um jantar de arrecadação de fundos de campanha patrocinado por um sindicato ligado aos servidores da UEM teriam registrado nomes e CPFs dos vigilantes convidados e repassado as informações incorretas ao comando da campanha. A legislação eleitoral proíbe que sindicatos financiem campanhas eleitorais.

Vargas foi procurado ontem por meio de sua assessoria para comentar o caso mas não respondeu aos questionamentos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1461008 

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