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06
Qui, Ago

Gazeta do Povo
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Dançando desde cedo

Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo

Aline Taborda (foto), 15 anos, se dedica à dança desde os 6 anos e já sabe o fará em breve. “Quero fazer Dança na FAP [atual câmpus Curitiba 2 da Unespar]”, diz a integrante do Grupo Experimental Jazz Eliseu Voronkoff, de Araucária. Ela conta que já recebeu convites para dar aulas em escolas infantis, o que a estimula a batalhar pelo sonho de abrir a própria academia. Como o processo seletivo da Unespar envolve prova prática, candidatos que têm contato com a dança desde cedo levam vantagem na disputa por uma vaga.

Artes cênicas

Em geral, os cursos têm foco na interpretação para espetáculos de teatro, cinema e televisão. Atores também podem se dedicar à dublagem de filmes e se especializar em aspectos relacionados aos bastidores, como a criação de roteiros, produção de peças e cenografia. Aos licenciados, há a opção de ministrar aulas de Teatro na educação básica – geralmente em atividades extracurriculares –, oficinas de curta duração ou elaborar obras didáticas. Onde estudar: Unespar (Licenciatura em Teatro), PUCPR (Teatro), UEL (Artes Cênicas com habilitação em Interpretação Teatral) e UEM (Licenciatura em Artes Cênicas).

Dança

O profissional de Dança usa os movimentos do corpo para narrar histórias e expressar ideias ou emoções, por isso o acadêmico deve conhecer a anatomia humana e técnicas específicas de cada estilo de dança. Para os bacharéis, o campo de trabalho está, principalmente, nas companhias de dança ou grupos de bailarinos que atuam em espetáculos ou acompanham outros artistas. Há também a possibilidade de dirigir essas apresentações como coreógrafo. Aos licenciados, além de escolas de dança e colégios, é crescente a procura por professores de Dança em academias. Onde estudar: Unespar (Bacharelado e Licenciatura em Dança).

Artes visuais

O profissional que opta por esse curso é capacitado para fazer desenhos, pinturas, gravuras e esculturas usando elementos visuais e táteis. Durante a graduação, o aluno trabalha com várias matérias-primas (da argila à metais), além de familiarizar-se com avançados softwares de criação digital. A área da animação gráfica, inclusive, está em alta. Também há mercado para quem prefere se dedicar à restauração de obras de arte em museus. Os licenciados em Artes Visuais, tradicionalmente, são maioria entre os professores da disciplina de Artes, obrigatória no currículo da educação básica. Onde estudar: Unespar (Superior de Pintura; Superior de Gravura; Superior de Escultura e Licenciatura em Artes Visuais), UFPR (Licenciatura em Artes Visuais e Bacharelado em Artes Visuais), Tuiuti (Licenciatura em Artes Visuais), UEL (Licenciatura em Artes Visuais) e UEM (Licenciatura em Artes Visuais).

Música

Seja como integrante de orquestra, cantor, maestro ou produtor de música eletrônica, o acadêmica de Música estuda técnicas para a criação de melodias. O formado também pode dedicar-se à composição ou fazer arranjos para peças teatrais ou publicitárias. Aos licenciados, é na rede privada de educação que estão as melhores oportunidades. Onde estudar: Unespar (Superior de Canto; Superior de Instrumento; Superior de Composição e Regência; Licenciatura em Música e Bacharelado em Música Popular), UFPR (Licenciatura e Bacharelado em Música), PUCPR (Licenciatura em Música), UEM (Licenciatura em Educação Musical; Bacharelado em Canto; Bacharelado em Instrumento; Bacharelado em Regência Coral) e Unila (Bacharelado em Música).


Quem aprecia o mundo das artes a ponto de se profissionalizar nele tem de estar preparado para uma série de obstáculos: do preconceito ao mercado de trabalho pouco convencional. No entanto, rodeados por música, dança, pinturas e teatro, é difícil encontrar um artista ou estudante infeliz com o caminho que decidiu trilhar.

Na última década, as opções de formação acadêmica nessa área foram ampliadas, com foco cada vez mais específico. No câmpus Curitiba 1 da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), antiga Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), por exemplo, são quatro as habilitações possíveis para quem pretende ser músico por formação. Quem tem mais apreço pelo teatro encontra graduações e especializações que vão da interpretação à direção de espetáculos.

A diversidade de caminhos não significa emprego fácil. O setor é pouco regulamentado e formado, em grande parte, por autônomos que trabalham com contratos temporários, o que exige de cada artista boa dose de criatividade e iniciativa para ser bem sucedido.

“Em todas as áreas artísticas, você tem de ser muito empreendedor porque o emprego não cai no seu colo. É difícil aparecer um concurso público ou um anúncio de vaga na qual você se encaixa perfeitamente”, diz a cantora e mestranda em Música pela UFPR, Débora Bérgamo Pickler, 25 anos. Licenciada em Música, ela concilia os estudos sobre composição musical para o mestrado com aulas de Música em escolas particulares e apresentações em eventos.

Segundo Débora, é comum surgir incertezas entre os profissionais da área diante de uma proposta de trabalho fixo e seguro – normalmente em outra área – e da possibilidade de se arriscar em projetos artísticos mais realizadores – cujo retorno financeiro não é previsível.

Vantagem

A coordenadora do curso de Artes Visuais na Unespar – câmpus Curitiba 2 (antiga Faculdade de Artes do Paraná), Rosanny Moraes de Morais Teixeira, confirma ser difícil manter-se com uma única ocupação artística no Brasil. Nesse aspecto, os licenciados têm vantagem sobre os bacharéis, já que podem dar aulas em um período. “Essa é a realidade de muitos alunos, que estudam para serem professores de Artes Visuais, mas não abrem mão de levar uma carreira paralela como artistas”, diz.


Sem deixar a oportunidade passar

Os músicos Débora Bérgamo Pickler, 25 anos, e Júnior Ilson Pickler, 28 anos, se conheceram durante a faculdade de Música na UFPR. Após a formatura, ambos conseguiram uma colocação e hoje estudam diferentes áreas do mundo artístico. Enquanto Débora faz mestrado em Música na UFPR, Júnior se especializa em Gestão Cultural no Senac, tema ligado à rotina profissional dele no Sesc da Esquina, onde organiza projetos educativos e musicais. “As oportunidades de emprego fixo, com carteira assinada na área artística, são raras, mas costumam ser boas. É preciso ficar atento”, diz o músico. Ele recomenda que todo estudante de Música busque conhecer as leis de incentivo à cultura e os trâmites para ter um projeto financiado.

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-universidade/carreira/conteudo.phtml?tl=1&id=1483275&tit=Carreira-guiada-pela-arte