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06
Qui, Ago

Gazeta do Povo
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502 diplomas

estão esquecidos em três dos 12 câmpus da UTFPR. Em Curitiba, a contagem não foi feita, mas os certificados ocupam quatro armários da instituição.

Arquivo

Não há prazo para que os diplomas emitidos pelas universidades sejam retirados pelos alunos. As instituições devem mantê-los arquivados.

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UEM tem diplomas esquecidos por mais de 40 anos

Marcus Ayres, da Gazeta Maringá

Somente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), cerca de 1,8 mil diplomas de graduação não foram retirados pelos estudantes e se encontram esquecidos nos arquivos da instituição. Alguns documentos têm mais de 40 anos. Entre os diplomas mais antigos estão os do curso de Ciências Econômicas, de datas entre 1969 e 1975.

Para o chefe da Divisão de Registro de Diplomas da UEM, Vilson Franciscon Jacob, é difícil apontar uma única causa para a situação. A única certeza é de que a motivação não é financeira, já que a instituição não cobra taxa para retirar o documento. “Várias situações podem estar ocorrendo: graduados que desistiram de atuar na área em que se formaram, ex-alunos que utilizaram apenas o certificado de conclusão de curso para comprovarem titulação, falecimento, mudança de endereço ou esquecimento mesmo”, explicou.

Entre os cursos de bacharelado, os campeões do esquecimento são Administração, Direito, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Já nas licenciaturas, estão Pedagogia, Letras, Geografia e História. Também há casos de títulos de pós-graduação. Hoje, a UEM tem 329 diplomas de mestrado e doutorado arquivados.

Investigação nas redes sociais

O número de diplomas arquivados na UEM chegou a ser maior. Até 2010, cerca de 2,5 mil estudantes não haviam retirado os certificados de conclusão de curso. Nas últimas décadas, a instituição passou a adotar algumas medidas para reduzir esse número. Desde 2011, a UEM faz a entrega de diplomas no ato da colação. E para encontrar antigos alunos, a universidade tem feito buscas pela internet. “Além de mandarmos e-mail, tentamos encontrar os alunos mais antigos através das redes sociais, principalmente o Facebook. Muitos destes até se assustaram em saber que não haviam retirado o diploma”, afirmou Jacob.

Conquistar um diploma universitário custa anos de vida e muito esforço, mas há quem não faça questão de ter o documento em mãos, mesmo depois de concluir a graduação. Em várias instituições do estado, diplomas com datas de décadas passadas aguardam, abandonados, a chegada de seus proprietários por direito.

Em Londrina, por exemplo, o número de diplomas não retirados por egressos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) chega perto dos 5 mil. Há casos de documentos mais antigos que a própria universidade, emitidos na década de 1960.

Segundo a chefe da Divisão de Diplomas da Pró-Reitoria de Graduação da UEL, Maria Salete Lautenschlager, o diploma mais antigo ainda disponível para retirada é do curso de Direito, datado de 1964. Os diplomas desse tempo eram emitidos pela Faculdade Estadual de Direito de Londrina e registrados pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.

Vários câmpus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) também mantêm gavetas para os diplomas esquecidos. No câmpus Medianeira, há 185 documentos à espera do dono; em Ponta Grossa, 174; e em Cornélio Procópio, 143. O câmpus Curitiba informou que precisaria de mais tempo para fazer o levantamento, mas revelou que há quatro armários repletos de diplomas abandonados.

Surpresas

Embora a maioria dos formandos opte por retirar o certificado, no máximo, alguns meses depois da colação de grau, funcionários responsáveis pelo setor de diplomas admitem que surpresas ocorrem. “Já aconteceu de virem buscar o diploma 20 anos depois da formatura”, revela Marluce Chukewiski, servidora do Departamento de Registros Acadêmicos da UTFPR em Curitiba.

São muitas as justificativas possíveis para a não retirada dos diplomas, mas o simples desinteresse pelo documento deve abranger uma boa parte dos casos. “Uma vez uma ex-aluna veio aqui para tratar de outro assunto e no meio da conversa soubemos que ela não havia retirado o diploma. Quando lhe oferecemos o documento, ela não o quis porque não gostava do curso. Tivemos de insistir para que o levasse”, lembra Marluce.

Exigência profissional e demora na entrega afetam procura

O problema dos diplomas esquecidos não é uma realidade enfrentada pelo curso de Medicina da UFPR. Segundo o secretário da coordenação do curso, Irone Ferreira da Silva, há cerca de dois anos o Conselho Regional de Medicina do Paraná passou a exigir a apresentação do diploma para obtenção do registro profissional, não bastando um certificado de conclusão. “Em até três semanas após a formatura, entregamos todos”, diz Silva.

A exigência é comum para outros profissionais das áreas de Saúde e Exatas, mas é rara nas Ciências Humanas, o que explica parte dos abandonos.

Além disso, a demora para o documento ficar pronto afeta a frequência das retiradas. Maria Salete Lautenschlager, da UEL, explica que somente a partir de 2002 os diplomas da instituição passaram a serem impressos na própria universidade. O alto custo e o tempo para emissão colaboraram para que os diplomas mais antigos ficassem “encalhados”. (JDL e FC)

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-universidade/conteudo.phtml?id=1398173