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Sex, Set

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UTFPR

Em Pato Branco, o foco é voltado para a agricultura familiar

Com apenas 30 hectares (um décimo da área da fazenda-escola da UEPG), a área experimental da UTFPR, em Pato Branco, destaca-se pelas pesquisas em espaços pequenos e é usada exclusivamente por estudantes de agronomia. “Aproveitamos 100% da área para experimentos. No espaço, temos maquinário, barracões, laboratório e uma área de preservação ambiental que também faz parte das aulas”, explica a coordenadora do curso Marlene de Lurdes Ferronato.

Pequenas propriedades rurais que praticam a agricultura familiar e a diversificação de atividades caracterizam a produção agrícola no Sudoeste do Paraná. Há duas décadas, o curso da UTFPR foi criado com foco nesse estilo de cultura, de olho em melhorias para a região. “Geralmente, cada universidade desenvolve uma linha de pesquisa voltada à região em que está inserida”, afirma Marlene.

Segundo a coordenadora, na área experimental da UTFPR, destacam-se pesquisas voltadas à integração entre lavoura e pecuária; ao melhoramento vegetal de grãos, como aveia e trigo; ao cultivo de árvores frutíferas de clima temperado, como pêssego, ameixa e uva; ao reflorestamento de eucalipto; ao plantio de pastagem para o gado leiteiro e à análise de árvores nativas.

Demanda

Hoje, o curso tem cerca de 200 alunos de graduação e 70 estudantes nos programas de mestrado e doutorado. Para atender à demanda crescente, a universidade avalia a aquisição de uma área maior para fazer os estudos de campo. “Hoje, 90% dos nossos alunos saem empregados da universidade. A prática é importante porque eles terão de conviver com produtores e, assim, terão mais segurança”, afirma Marlene.

UEM

Com o câmpus dentro de uma fazenda, vivência é mais intensa

Com o câmpus de Umuarama dentro de uma fazenda de 145 hectares, os 174 alunos de agronomia da UEM têm a oportunidade de vivenciar a fundo a área em que pretendem se formar. “Às vezes estamos em aula, queremos mostrar alguma coisa e já vamos para fora ver na prática o que estamos falando”, conta a coordenadora do curso Juliana Poletine. Os laboratórios e áreas experimentais são compartilhados com os alunos de Medicina Veterinária, que também têm aulas na fazenda.

Na área vegetal, as pesquisas desenvolvidas no câmpus que merecem destaque são a cultura de oleaginosas, como soja e crambe; a cultura de grãos de inverno, como trigo e canola; o estudo de plantas daninhas e o melhoramento genético de plantas. Além disso, o laboratório de nematologia, que estuda vermes de solo, é referência para o país.

Maringá

A 170 quilômetros dali, os 420 alunos do câmpus Maringá da UEM têm à disposição a fazenda experimental de Iguatemi – uma área de 170 hectares que conta com um setor agrícola e outro zootécnico, usado pelos estudantes de Zootecnia. “Talvez nem todas as disciplinas utilizem a fazenda experimental, mas todos os alunos têm contato com ela durante os anos do curso. A fazenda é um laboratório ao ar livre”, afirma o coordenador Telmo Antonio Tonin. O manejo de culturas, o melhoramento genético vegetal, o manejo integrado de pragas e de plantas daninhas estão entre as áreas de pesquisa mais importantes da unidade.
No país que ocupa as primeiras colocações em rankings de exportação agrícola do mundo, 233 cursos superiores de Agronomia estão em funcionamento e apenas 19 deles obtiveram conceito máximo na última avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Quatro estão no interior do Paraná. A qualidade das graduações, avaliada com base na performance dos alunos em provas, é reflexo do conhecimento adquirido durante o curso – aprendizado que depende de professores capacitados e do contato com a prática.

Nesse aspecto, as fazendas experimentais são primordiais para a formação de quem quer trabalhar no campo. Em um mesmo espaço, elas reúnem áreas de plantio e de criação de animais e laboratórios destinados a diversos tipos de pesquisa em que trabalham e estudam alunos de vários cursos, como Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária e Engenharia de Alimentos.

Os coordenadores dos quatro cursos de Agronomia paranaenses que se destacam entre os melhores do país – câmpus Pato Branco da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e câmpus Umuarama e Maringá da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – concordam que o bom desempenho de seus alunos deve-se ao corpo docente qualificado e à vivência nas fazendas-escolas. “A prática é importante para o futuro deles. Quando o aluno vai a campo, ele vai firmar mais o conhecimento teórico que teve na aula. Todo engenheiro agrônomo deve fazer a experimentação”, afirma a coordenadora do curso da UTFPR, Marlene de Lurdes Ferronato.

Conhecimento compartilhado com produtores

Gostar de mexer com a terra, saber trabalhar em equipe e ter paciência e metodologia são características essenciais para quem cursa Agronomia, o que é facilmente percebido ao visitar a fazenda-escola Capão da Onça, da UEPG, nos Campos Gerais. Nos 300 hectares (3 km²) divididos em quadras, centenas de alunos, professores e pesquisadores desenvolvem estudos ligados à agricultura e à pecuária. A distância de oito quilômetros do câmpus não impede que as atividades estejam interligadas.

Em um espaço reservado para o cultivo de trigo e cevada, por exemplo, trabalham estudantes de graduação e pós-graduação. “Cada um de nós desenvolve alguma pesquisa específica. Meu trabalho é sobre as plantas daninhas no cultivo do trigo. O trabalho em equipe é fundamental”, afirma Jennifer Caroll Valdívia, aluna do 4.º ano.

Assim como em outras fazendas-escolas, o conhecimento gerado nas pesquisas costuma ser compartilhado com a comunidade local. “Temos todos os tipos de solo e todas as dificuldades que os agricultores da região conhecem bem. Isso nos ajuda bastante”, afirma o coordenador Cláudio Puríssimo, que ressalta a interação em campo com os cursos de Ciências Biológicas, Zootecnia e Engenharia de Alimentos como um dos pontos fortes da fazenda.

Referência

O curso de Agronomia da UEPG é o primeiro no Brasil a ensinar o plantio direto na palha, uma técnica iniciada no Paraná na década de 1970. O método reduz a erosão do solo e ajuda na preservação de nutrientes importantes. Na fazenda-escola, a técnica é usada em diversas pesquisas, que avaliam inclusive os efeitos do material orgânico espalhado pelo solo.

Em outra área – simples e não muito grande –, uma técnica de ponta praticada na criação de cordeiros para o corte é referência para o país. Os estudos começaram há 25 anos e têm o objetivo de criar animais que cheguem ao ponto ideal de abate com apenas 90 dias de vida. “É o chamado Sistema Intensivo de Produção de Cordeiro, que faz com que um animal mais precoce possa chegar ao mercado com boa qualidade e com um custo mais baixo”, afirma o gerente de operações da área animal da fazenda, Isaltino Cordeiro dos Santos. “O que não gastamos com grandes estruturas é investido no melhoramento genético das raças e no bem-estar dos animais”, complementa.

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