Gazeta do Povo
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Foz do Iguaçu - Todo os anos, cerca de 12,6 mil alunos ingressam nas cinco universidades estaduais do Paraná após passar pelo vestibular. Ao mesmo tempo, uma média de 3,7 mil alunos deixam as instituições a cada ano pela porta dos fundos. São estudantes que a partir do segundo ano decidem trancar a matrícula, parar de estudar ou pedir transferência para outra instituição. O resultado é o surgimento de vagas ociosas, que geram prejuízo social e econômico ao ensino público.

Em 2007, o número de alunos desistentes nas cinco universidades estaduais paranaenses chegou a 3.968. Destes, 1.245 trancaram a matrícula, 64 pediram transferência interna, 303 transferência externa e 2.356 deixaram as universidades por outros motivos, segundo dados da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a quem as instituições são vinculadas.

Para preencher as vagas, as universidades abrem as portas para alunos já formados, os chamados portadores de diploma, ou estudantes de outras instituições, públicas ou privadas. O processo seletivo para ocupar as vagas é feito todos os anos, em diferentes épocas. Mas a triagem, realizada com base em análise de currículos e provas, não garante a ocupação das vagas. Isso porque há cursos com vagas que não despertam interesse em alunos da própria faculdade ou de outras instituições, entre eles os de licenciatura. Outro fator é o critério de seleção. Alguns estudantes são eliminados pela incompatibilidade de currículos para a série específica que pretendem cursar ou porque não passam nas provas.

Sem interessados

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) ofereceu 237 vagas em 19 cursos na última seleção, no ano passado. Para 117 vagas não surgiram interessados. Após a prova, 23 vagas foram preenchidas, de um total 120. Até o curso de Medicina apareceu entre os 19 cursos. As três vagas que sobravam foram ocupadas. Administração, Agronomia, Farmácia, Fisioterapia, Ciências Sociais e Matemática são alguns dos cursos que não tiveram adesões na disputa. Os alunos são submetidos a provas de conhecimentos básicos e de conhecimentos específicos. Para alguns cursos também há provas de habilidades.

A diretora de Apoio à Ação Pedagógica da UEL, Silvana Drumond Monteiro, não considera a sobra de vagas um prejuízo, pois sempre há interessados em ocupá-las. Para ela, o problema, principalmente em relação aos cursos de Ciências Exatas, não é exclusivo da UEL. “Os cursos de Ciências Exatas são considerados difíceis. Geralmente entra um número e se forma bem menos, pela complexidade. É uma realidade nacional”, diz.

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) ofertou cerca de 500 vagas ociosas no edital deste ano, mas o número de inscritos não passou de 300. Entre 120 e 150 vagas foram preenchidas. “Todas as vagas ociosas são levadas a público, mas tem vagas com alta procura e outras sem procura. A maioria continua ociosa, mesmo depois do processo seletivo”, diz o diretor do Concurso Vestibular da Unioeste, José Carlos Cattellan.

A exemplo de outras universidades públicas, as vagas ociosas da Unioeste também deixam de ser preenchidas porque há uma corrida de alunos em busca de uma mesma carreira. Alguns cursos, como Medicina, apresentam alta demanda – 30 a 40 candidatos chegam a disputar uma vaga – enquanto outros não atraem concorrentes. Em contrapartida, a procura é baixa em História, Geografia e Pedagogia. As raras vagas no curso de Medicina aparecem porque o aluno começa a estudar na instituição ou passa em outros vestibulares.

Os cursos da área de Tecnologia, incluindo as Engenharias (Civil, Elétrica e Mecânica) estão na relação de maiores desistências na Unioeste. “O aluno passa no vestibular, entra no curso e você supõe que ele tem uma bagagem boa em matemática, física e cálculo. Mas, quando vemos, tem um monte de gente desistindo pela complexidade do curso”, diz Cattelan.

Transferências

Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), foram registradas 166 vagas remanescentes no ano passado, mas a faculdade informou que conseguiu preencher todas por meio de transferência externa. A pró-reitora da instituição, Ednéia Rossi, diz que a universidade adotou mecanismos para minimizar a evasão, como o programa chamado Proinício, que oferece aos alunos da graduação conhecimentos básicos nas áreas de língua portuguesa, matemática e informática, entre outras. Além de evitar a evasão, a ideia é frear a reprovação. Há também monitorias prestadas por alunos de graduação e pós-graduação aos estudantes que precisam de apoio pedagógico em disciplinas consideradas “críticas”. Para a pró-reitora, a sobra de vagas não é considerada evasão porque o aluno que desiste do curso muitas vezes vai para outra instituição ou outro curso.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) ofereceu 270 vagas no edital de 2008. Apenas 17 foram preenchidas. Os cursos de Matemática, História e Física estão entre os que ofertavam mais vagas. Claiton Camargo Capri, da Divisão Acadêmica da UEPG, diz que as vagas deixam de ser preenchidas pela falta de procura. Segundo ele, não há deficiência na divulgação do edital porque para alguns cursos a procura é alta. “A maioria procura vaga em cursos como Farmácia e Direito”, afirma. A maior parte dos alunos que ingressa são de faculdades particulares.