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Ter, Jan

Gazeta do Povo
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Segundo o IBGE, a taxa de casamentos cresce mais entre a população idosa. Longevidade, tempo de sobra e atividades sociais contribuem para essa tendência


Após 25 anos de vida em comum, a professora aposentada Izis da Silva Zanoni, de 74 anos, e o comerciante Augusto Alves, de 84 anos, reuniram os seis filhos, 15 netos e quatro bisnetos para oficializar a união, no sábado passado. Ainda em lua de mel, o casal relembra o começo do namoro, iniciado depois da viuvez de ambos, em Nova Esperança, no interior do Paraná, e revela o segredo para manter a longevidade do relacionamento: muita atividade conjunta. “Freqüentamos bailes, fazemos ginástica, viajamos em grupo, nunca falta assunto”, relatam.

Além das aulas de dança, ginástica e artesanato que freqüenta com o marido, Izis ainda canta em um coral, a única atividade da qual Alves não participa. “Tenho a voz rouca. Melhor não atrapalhar os outros cantores”, justifica. O casal mora em Maringá, no Noroeste do estado, onde mantém a rotina agitada de compromissos sociais que preenchem o dia.

Atividades favorecem integração

O baile dirigido à terceira idade muitas vezes é o ponto de partida de uma série de atividades que podem ser desenvolvidas pelos idosos. As unidades do Sesc no estado promovem eventos semanais na maior parte dos municípios onde atuam. Em Maringá, cerca de 300 idosos participam do grupo da terceira idade do Sesc. Lá eles têm acesso a aulas de artesanato, coral, jogos, danças e viagens. A maior atração é um animado baile semanal que ocorre toda quinta-feira à tarde. O evento é ponto de encontro do grupo e uma das principais diversões para os casais de namorados.

A coordenadora do grupo, Marlene Niero, destaca o clima de alegria em cada um dos eventos, onde não há espaço para solidão e tristeza. “As ações contribuem para a autonomia dos idosos que, em muitos casos, não são mais ouvidos nas famílias”, explica.

A união de Izis e Alves ilustra os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais a terceira idade é a faixa etária que registra as maiores taxas de crescimento de casamentos formalizados no Brasil. O índice de registros de união de homens acima de 60 anos cresceu 165%, entre 1990 e 2006. Entre as mulheres o aumento foi de 198%. No mesmo período, a população feminina aumentou 30% e a masculina, 26%. “Considerando o período de 1984 a 2006, o número de casamentos formais entre as pessoas com 60 anos ou mais foi o maior. Entre as mulheres, o crescimento foi de 123,13%. Entre os homens, 112,15%”, explica o economista Luís Alceu Paganotto, analista do IBGE. Ações de promoção à cidadania, organizadas pelo poder público, entidades religiosas ou organizações não-governamentais, ajudam a puxar os índices de registros cíveis. Muitas uniões informais acabam legalizadas em mutirões, como o Ação Global ou o Paraná em Ação.

Bailes

A longevidade e a mudança nos hábitos de vida dos mais velhos são fatores que contribuem para a socialização do idoso, o que amplia a rede de relacionamentos e abre espaço para a formação de novos casais. Aposentados e com saúde, velhos solitários rompem preconceitos ao buscarem vida social ativa e se relacionarem.

Maria do Carmo, 65 anos, e Júlio Fuggi, 82 anos, estão juntos há oito anos. O relacionamento começou durante os bailes para a terceira idade que ambos freqüentam em Maringá. “Fazemos muitos amigos no baile, participamos das atividades e assim temos mais coisas para conversar entre nós”, diz Maria do Carmo.

Os grupos de convivência e as atividades sociais dirigidas ao público idoso são, muitas vezes, o ponto de partida para estreitar laços de amizade e romper o isolamento social. “A timidez inicial é superada e a convivência em grupo estimula discussões sobre problemas comuns. Isso ajuda no relacionamento entre eles e com os familiares”, explica a psicóloga Marly Lambe, mestre em psicologia social e professora da Universidade Estadual de Maringá. De acordo com a psicóloga, atividades sociais e de lazer são importantes para eliminar nos idosos a sensação de incapacidade. Marly coordena um projeto de extensão universitária que promove reuniões quinzenais com maiores de 60 anos com enfoque em qualidade de vida em todos os aspectos: social, biológico e psicológico.

Diversão é lei

O artigo 3º do Estatuto do Idoso estabelece as atividades de lazer como um direito da população de terceira idade:

“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.”

Idoso agredido terá centro especializado

O Centro Regional Integrado de Apoio e Prevenção da Violência Contra a Pessoa Idosa de Curitiba e Região Metropolitana deve, finalmente, sair do papel. A promessa é da coordenação de assistência social da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social (SETP), parceira do projeto do governo federal. Por meio de um convênio, assinado com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos em dezembro do ano passado, a União já tinha repassado ao Paraná R$ 211 mil, em fevereiro deste ano, exigindo R$ 17 mil de contrapartida do governo estadual. Mas um ajuste no plano de ação inicial, questões de infra-estrutura e contratação de profissionais atrasaram a instalação do centro na capital.