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06
Qui, Ago

Gazeta do Povo
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Novidade ainda não será usada este ano, e universidade exigirá comprovação de renda familiar para os candidatos às cotas

Ana Carla Giovanini Lucena, 18 anos, irá prestar vestibular este ano para o curso de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), mas, depois de uma decisão recente da instituição, aposta mesmo suas fichas é no processo seletivo de 2009: ano que vem, ela poderá concorrer ao sistema de cotas sociais, que acabou de ser aprovado. “Nós, estudantes da rede pública, estamos em desvantagem no vestibular em relação ao aluno da escola particular. Eu já faço cursinho pela segunda vez. Este ano vou fazer vestibular, mas estou mais confiante para o ano que vem, quando vou poder disputar as cotas”, afirma. Quem tem opinião semelhante é Catherine Menegaldi Silva, aspirante a uma vaga no curso de Letras e com o perfil exigido para os futuros candidatos às cotas sociais. “As cotas são indispensáveis, pois a diferença entre a qualidade do ensino privado e o público é muito grande”, defende a vestibulanda.

A UEM será a terceira universidade estadual do Paraná a implantar as cotas sociais, depois de Londrina e Ponta Grossa. A reserva de vagas será ofertada nos vestibulares de verão e inverno de 2009, para ingresso dos alunos em 2010. As regras para o sistema foram aprovadas em 14 de maio pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP) da instituição. A proposta prevê a reserva de até 20% das vagas de cada curso da graduação para candidatos que tenham cursado os ensinos fundamental e médio em escolas públicas. Não haverá nota de corte e as vagas serão preenchidas pelos primeiros colocados.

Segundo o conselheiro do CEP e relator do texto que regulamenta a criação de cotas na UEM, Eduardo Radovanovic, os candidatos que tiverem estudado em cursinhos particulares também poderão disputar as vagas para cotistas. “Tem direito às cotas quem faz cursinho pago. Já quem fez terceirão em escola particular não pode concorrer”, explica. A universidade oferece anualmente cerca de 3 mil vagas, distribuídas em 49 cursos de graduação. Por esse sistema, serão destinadas aproximadamente 600 vagas nos dois vestibulares. “A prova será a mesma para todos os inscritos. 80% dos candidatos serão chamados pela qualificação geral e os restantes serão cotistas”, afirma.

Uma novidade da UEM em relação a outras universidades que adotam cotas sociais é a exigência de renda máxima familiar. “Nós fizemos uma pesquisa socioeconômica, de acordo com dados do IBGE, para definir que critérios usar. A proposta que mais se encaixou foi a da renda per capita familiar, que nos apontou o valor de até um salário mínimo e meio”, diz o relator. Vagas não-preenchidas

Alice de Fátima Rodrigues, presidente da Câmara de Graduação do CEP, explica que as vagas que não forem preenchidas pelos cotistas serão destinadas à concorrência geral. “Os cursos noturnos costumam ser mais procurados por candidatos de escolas públicas, pois esses estudantes normalmente trabalham durante o dia. Quem sofre de carência econômica não tem como se manter em um curso integral. Por isso, algumas áreas podem não ter tanta procura pelos cotistas”, prevê. Para Radovanovic, será necessário que a instituição ofereça um programa de apoio para que os alunos cotistas consigam concluir seus estudos. “No futuro, a UEM terá de criar uma forma de acompanhamento desses estudantes, mas quem tem autonomia para isso é o Conselho Administrativo, que deverá gerenciar essa questão”, diz. A instituição vinha discutindo a implantação das cotas sociais desde 2004. Segundo Radovanovic, o sistema será avaliado a cada dois anos, podendo sofrer alterações.

 

Enquete

O que você acha das cotas sociais na UEM?

“Fala-se tanto em igualdade, então eu acho que não se pode diferenciar com as cotas, do contrário não existe igualdade.”

Gabriela Cristina Motta, 17 anos, vestibulanda de Odontologia

“Sou contra as cotas em alguns casos. Acho que deveria haver cotas para quem sai de escola pública, para pobres. Sou contra, por exemplo, cotas para negros porque há muitos negros que são ricos e não precisariam delas.”

Eduardo de Góes, 22 anos, vestibulando de Agronomia

Como funciona?

As cotas sociais só valerão a partir dos vestibulares feitos em 2009, para estudantes que começarão o curso em 2010.

>20% das vagas de cada curso serão reservadas para candidatos que tenham cursado os ensinos fundamental e médio em escola pública.

>Além de ter estudado em escola pública, os cotistas precisam comprovar renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa da família (atualmente, R$ 622,50). A renda é calculada somando-se a remuneração bruta dos integrantes da família e dividindo o valor pelo número de pessoas.

>Quem fez cursinho em escola particular, mas completou os ensinos fundamental e médio em escola pública, e se encaixa no critério de renda, poderá ser cotista.