Gazeta do Povo
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A falta de mata ciliar, árvores condenadas com risco de cair, parques florestais fechados e praças sem manutenção são problemas que precisam ser resolvidos até o início de 2009, quando os municípios deverão apresentar ao Ministério Público um plano diretor individual de arborização.

O promotor de Meio Ambiente em Maringá, no Noroeste do Paraná, Manoel Ilecir Heckert, alerta para a falta de conscientização da população, agricultores e empresários. “Falta mata ciliar na maioria dos municípios”, aponta o promotor, acrescentando que isso coloca em risco num futuro breve a existência dos rios Pirapó e Ivaí, que abastecem a região.

Entre as cidades que mais têm problemas de arborização está justamente a que é chamada de Cidade Verde. Das 135 mil árvores de Maringá, aproximadamente 30% estão condenadas, o que faz com que seja comum a queda de árvores inteiras durante chuvas na cidade.

“Maringá trata a questão das árvores como um marketing político”, lamenta o professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá, Bruno de Angelis, que cita uma série de problemas apontados em pesquisas. Das 102 praças maringaenses, apenas um terço teria condições de uso pela população; entre os três principais parques florestais, dois estão fechados e o único aberto tem diversos problemas estruturais; o descuido com a arborização levou ao quadro preocupante das árvores condenadas.

Outra reclamação de ambientalistas é que a prefeitura realiza um corte indiscriminado de árvores. A prefeitura alega que plantou 49 mil árvores no perímetro urbano desde 2005. “O vandalismo destrói uma média de 30% das mudas que plantamos”, diz o diretor de arborização da Secretaria de Meio Ambiente de Maringá, Arney Eduardo Ecker.

Outras cidades

Em Astorga, a assessora de projetos Ambientais, Cristiane Alexandre Faiolla, diz que o Plano de Readequação Urbana, feito em 2002, será atualizado. Ele previa R$ 350 mil para remover as árvores condenadas, plantar mudas e fazer a manutenção e não foi implantado por problemas políticos.

Em Nova Esperança, um projeto de R$ 1,5 milhão está criando um parque florestal no lugar de uma erosão que ameaçava “engolir” casas e ruas da região central. O local era usado pela população como um lixão e a prefeitura já retirou mais de 250 caminhões de lixo.

Todos esses problemas serão debatidos no 1º Ciclo de Estudos sobre Arborização Urbana, que acontecerá em Maringá nos dias 29 e 30 de maio. Os temas das palestras e debates serão a produção de espécies arbóreas, paisagismo, legislação, mata ciliar, entre outros.