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Questões de somatória e redação mais exigente buscam mudar o perfil do calouro para adequá-lo ao que a universidade espera de seus estudantes

A Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Noroeste do Paraná, vai aplicar um novo sistema de provas já a partir do vestibular de inverno, em julho. A Comissão Central do Vestibular Unificado (CVU) informa que o vestibular foi avaliado por três anos em seis edições e que o novo formato tem sido divulgado desde dezembro de 2007. “Não mudamos para facilitar a vida do aluno”, justifica o presidente da CVU, Doherty Andrade. “A universidade espera um certo perfil do futuro aluno e isto não estava ocorrendo”, argumenta. Ele cita que nada impede novas mudanças nas próximas edições, pois a universidade tem foco em questões como cidadania e pesquisa, e pode buscar destacar isso no perfil do acadêmico.

 

O que você achou das mudanças no vestibular da UEM?
“Acho que ficou mais difícil, principalmente a redação, que pode complicar bem. Estou estudando mais desta vez que nos outros vestibulares que fiz.”
David Leonardo Zanon, 20 anos, vestibulando de Arquitetura e Urbanismo.

 

 

Andrade diz que o sistema de questões discursivas com um único texto na redação colocava na universidade alunos que não estavam preparados para fazer crítica ou análise; além disso, as disciplinas não pedem textos narrativos ou discursivos nas aulas. Já a redação agora cobra mais raciocínio e análise, e o vestibulando tem de escrever de dois a quatro textos entre dez gêneros. As mudanças pretendem melhorar o perfil do aluno da UEM e adequá-lo ao que é pedido pelos professores em sala de aula.

O novo modelo já provoca polêmica nos cursinhos pré-vestibulares e é questionado. “Acho que é problemático porque temos professores recém-formados que não trabalharam com somatória, e também é difícil para os vestibulandos”, avalia o coordenador do Colégio Universitário de Maringá, César Sperandio. O colégio prepara uma média de 150 alunos para o vestibular, pesquisou modelos de provas semelhantes em universidades do Paraná e São Paulo e já está aplicando simulados com a somatória e redações variando os gêneros de textos. Já para o diretor do Colégio Nobel, Carlos Anselmo Correa, as mudanças vão beneficiar os alunos que se prepararem melhor. “No cursinho, o estudante se prepara para diversas faculdades e modelos de provas”, considera, citando que a prova de somatória é mais difícil que a discursiva.

Todas as provas serão corrigidas

Uma mudança que irá favorecer os vestibulandos está na correção das provas. No modelo antigo, a correção da prova do terceiro dia, de Conhecimentos Específicos, só acontecia caso o candidato atingisse uma certa nota nas provas anteriores e permanecesse com chances dentro do concurso. Assim, quem não se classificava ficava sem saber como foi seu desempenho no geral. Agora, todos os vestibulandos terão seus exames corrigidos.

A correção e divulgação da classificação de todos os candidatos seguem normas de uma lei federal que obriga as instituições a publicar a classificação de todos os candidatos. Para o diretor do Colégio Nobel, Carlos Anselmo Correa, isso chega a ser mais importante que as mudanças no formato da prova. “Era uma injustiça não corrigir a prova de todos”, afirma. (AI)