Gazeta do Povo
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Uma força-tarefa formada por policiais e representantes da prefeitura de Maringá, Noroeste do Estado, rejeitou, na terça-feira (18), a proposta do Diretório Central Estudantil (DCE) de abrir a Vila Olímpica da cidade para realizar festas de confraternização durante os dias em que acontece o vestibular de verão da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O grupo foi criado no vestibular de inverno, para inibir eventuais abusos dos estudantes e fiscalizar o cumprimento da Lei Municipal 8405/2008, que proíbe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no entorno da UEM durante a realização do vestibular, entre a Avenida Colombo e a Rua Vitória, na Zona 7. A área era habitualmente utilizada por vestibulandos e estudantes da UEM, e gerou reclamação por parte dos moradores, principalmente por causa do barulho durante a madrugada.

Segundo o sargento da Polícia Militar (PM) Argeniro Mendes Ferreira, o problema já dura três anos e chegou ao auge durante as provas de verão de 2007. “Os estudantes, aglomerados, fecharam as ruas, que são essenciais para a circulação de carros na região. Colocaram piscinas, sofás e carros de som ligados até de madrugada”, disse. O presidente do DCE, Caetano Eduardo Roma reconhece que os jovens poderiam ser mais contidos. “Há excessos dos estudantes, mas dos policiais também, quando fiscalizam as festas de forma repressiva”, afirma.

Com a proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas nas proximidades da UEM, o DCE apresentou à força-tarefa a proposta de utilizar o Complexo Esportivo Vila Olímpica, que também fica na Zona 7, para não provocar tumulto nas ruas. Procurada pela reportagem, PM não se pronunciou sobre o assunto, mas a assessoria de imprensa da prefeitura municipal, que também integra a força-tarefa, confirmou que o projeto foi rejeitado.

A prefeitura informou que o complexo esportivo está em obras e que há risco de acidentes no local, uma vez que as piscinas não são cercadas. Além disso, entre os motivos que levaram à rejeição da proposta, estaria o fato de que o consumo de bebida alcoólica no local é incompatível com a função da Vila Olímpica, que é o de promover esporte e lazer.

O presidente do DCE considera a decisão como um ato de repressão. “Para mim, eles só inventaram desculpas para o projeto não existir”, opina Roma. “Inicialmente propusemos vender cerveja na Vila Olímpica para poder financiar a festa. Estimamos que os custos com organização ficariam em torno de R$ 38 mil, então precisávamos vender algo para pagar”, explica. “Como eles alegaram que não poderíamos vender cerveja, falaram que ainda poderia haver estudantes consumindo álcool no local”.

O presidente do DCE diz que vai acatar a decisão, mas informa que deve voltar a negociar com a polícia e a prefeitura. “Até a data do vestibular provavelmente teremos uma nova reunião. Vamos procurar outras saídas, rediscutir a possibilidade de outros espaços e conscientizar os estudantes quanto aos excessos”, informa.

O início das atividades da força-tarefa está marcado para o dia 28 de novembro, dois dias antes de começarem as provas, que vão de 30 de novembro a 2 de dezembro.