Hoje Maringá
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Um estudo divulgado na sexta-feira reforça o que é visível aos olhos: a diferença econômica entre Maringá, Sarandi e Paiçandu, hoje cidades conurbadas. Mostra ainda que a Região Metropolitana de Maringá (RMM), criada há 10 anos, existe apenas no papel. Composta por 13 municípios, não há integração entre as cidades, pois cada administração prioriza os seus projetos, sem levar em consideração o desenvolvimento regional.

O trabalho foi conduzido pelo Observatório das Metrópoles, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a pedido do Ministério das Cidades. Analisa questões como renda, moradia, perfil educacional, desenvolvimento, entre outros itens, nos 13 municípios da região.

O que foi apontado pela pesquisa que é visível para quem transita pela região é a diferença entre a cidade-polo e os demais municípios. O município que apresenta os melhores índices é Maringá em termos de infraestrutura, renda, educação. De acordo com a coordenadora do Observatório, professora Ana Lúcia Rodrigues, a cidade sede concentra, por exemplo, 88% da atividade econômica da região, bem como a maioria populacional.
Por outro lado, o oposto se verifica nas cidades conurbadas.

Sarandi e Paiçandu são o retrato da pobreza, do atraso econômico e da falta de infraestrutura urbana. As duas cidades acabam funcionando como bairros pobres de Maringá, uma vez que a pesquisa identificou que cerca de metade da população de Sarandi faz o trajeto diariamente para Maringá para trabalhar ou estudar. Em Paiçandu verifica-se 45%.

Renda

Enquanto na cidade polo 16,6% dos chefes de família têm um rendimento acima de 10 salários mínimos, em Sarandi este número cai para 2,5% e em Paiçandu, 2,4% - o menor da RMM.
O estudo mostra ainda que as famílias com os maiores salários e escolaridade se concentram nas Zonas 2 e 5 de Maringá e na região da UEM.

De acordo com Ana Lúcia, na ponta da tabela, com chefes da família que ganham até dois salários mínimos, Maringá aparece com 31% de sua população. Já em Sarandi este número sobe para 52%. Em Paiçandu, 54%. O maior índice foi registrado em Ângulo, com 62%.

Estes números, segundo a professora, demonstram que Maringá concentra a riqueza e, aos poucos, vai absorvendo a população de maior poder aquisitivo destes outros municípios.

Encolhendo

Alguns dados são preocupantes, segundo a professora. Há municípios, como Ângulo, Ivatuba, Itambé e Doutor Camargo, que estão perdendo população. Enquanto isso, Sarandi (5%), Paiçandu (4%) e Mandaguaçu (3%) estão inchando. Com este crescimento anual, os investimentos em infraestrutura, saúde, educação, saneamento são sempre insuficientes.

A professora critica também o exagero no número de municípios que fazem parte da RMM, ainda mais pela “falta de identidade entre eles”. Atualmente são 13 cidades, mas existe projeto na Assembléia Legislativa para incluir mais oito.