O Diário do Norte do Paraná
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Especialistas afirmam que para suprir a falta de qualificação, o mercado investe em cursos profissionalizantes; desempregados devem buscar formação

 

Com cinco mil empregos formais gerados no primeiro quadrimestre deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o bom momento vivido por Maringá impressiona até mesmo quem acompanha mensalmente a evolução da economia regional.

“Está totalmente fora do contexto dos registros históricos”, afirma o doutor em Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Joílson Dias. Contudo, garantem especialistas, com uma melhor qualificação profissional o desempenho seria ainda melhor.

Dias explica que investimentos em capacitação, especialmente de jovens, poderiam gerar mais postos de trabalho - mesmo na cidade que já é a segunda colocada neste quesito, no Paraná.

Segundo ele, muitas vezes a empresa tem de investir na qualificação da pessoa, enquanto poderia destinar esses recursos na criação de novas vagas.

A solução proposta pelo economista é o investimento pesado - tanto do Poder Público quanto da iniciativa privada - em cursos técnicos de curta duração, que atendam à demanda do mercado de trabalho local.

“Digamos que uma empresa, que demanda por mão-de-obra especializada, não encontra profissionais competentes na cidade de origem. Certamente, vai se mudar para outro lugar. Maringá, investindo em cursos técnicos, pode atrair empresas de outras cidades”, aposta Dias, que define a busca pela qualificação como indispensável para quem está desempregado ou mesmo em profissões obsoletas.

A coordenadora do Centro de Capacitação da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), Rosane Rodrigues Pinto, vai além. Segundo ela, programas de treinamento, com duração de alguns dias, podem render ao participante a tão sonhada colocação no mercado de trabalho.

“Nesta sexta-feira, veio aqui o dono de uma empresa que tem dificuldade para encontrar alguém capacitado para lidar no atendimento pessoal. E para vagas como essa, basta um treinamento bem feito de três ou quatro dias.”

Diante de um mercado de trabalho sedento por profissionais preparados, Rosane aponta também, como alternativa, os cursos online.

“Acredito muito nessa modalidade. Pela internet, a pessoa pode estudar nas horas vagas. Em tom de brincadeira, sempre dizemos: ‘o que você faz da meia-noite às seis horas?’ Há quem faça cursos online nesse horário.”

Mesmo os cursos por correspondência, Rosane cita como exemplo o Instituto Universal Brasileiro, que podem ajudar quem realmente tem vontade de trabalhar.

Vagas

O gerente da Agência do Trabalhador de Maringá, Maurílio Mangolin, afirma que é grande a demanda por profissionais qualificados.

“Hoje existem em torno de 1.200 vagas disponíveis, que não são preenchidas, porque o candidato não atende às exigências da empresa”.

O curioso, segundo Mangolin, é que algumas vagas, voltadas para pessoas sem experiência, são difíceis de serem preenchidas.

“Há 250 postos de trabalho para quem não tem qualificação alguma e, mesmo assim, temos dificuldade para repor o quadro das empresas.”

Para Mangolin, isso ocorre porque o povo não está se sujeitando a trabalhar por R$ 415, mais benefícios. “Em Maringá, só fica desempregado quem não tem vontade de trabalhar”, alega.

Gratuitos

Para tentar solucionar a carência de mão-de-obra, iniciativa privada e Poder Público oferecem cursos profissionalizantes voltados às necessidades do mercado de trabalho local. A Prefeitura disponibiliza gratuitamente à população, atualmente, 42 cursos.

A capacitação ocorre por meio de três programas, entre eles o “Projeto Rumo ao Emprego”, da Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo, que compreende 34 cursos.

Informações, orienta a Secretaria, podem ser obtidas pelo fone 3221-1333. A Secretaria da Assistência Social e Cidadania e a Secretaria da Mulher também ofertam cursos de curta duração.