O Diário do Norte do Paraná
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Especialistas apontam a Engenharia de Tráfego e campanhas de Educação no Trânsito como soluções para reduzir o índice de mortes nas ruas e avenidas da cidade

 

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Maringá é a sétima cidade paranaense e a 30ª do Brasil em número de vítimas fatais no trânsito. Quem garante é o Ministério da Saúde, por meio de um levantamento baseado em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Em 2007, 75 pessoas perderam a vida nas ruas e avenidas de Maringá e, este ano, o número de óbitos já chega a 28. Em um cenário que preocupa e mata, especialistas ouvidos por O Diário apontam os problemas que mais contribuem com a violência no trânsito.

Um deles é o crescimento vertiginoso da frota de veículos.

De acordo com a Secretaria dos Transportes de Maringá (Setran), a frota registrada de veículos na cidade passou de 191 mil em abril deste ano, um aumento de 26,5% em relação a 2004.

Em um cenário em que as leis de trânsito são pouco respeitadas pelos motoristas, mais veículos nas ruas significam uma maior probabilidade de acidentes de trânsito. Tese que é defendida pelo secretário interino dos Transportes de Maringá, Gilberto Purpur.

“Não tenho dúvidas, se a frota cresce o número de acidentes aumenta também. As ruas continuam com o mesmo tamanho, gerando uma briga por espaço cada vez maior”, comenta o secretário dos Transportes.

Engenharia

Purpur aponta a Engenharia de Tráfego como uma das soluções para diminuir a violência no trânsito.

“Duas obras, em especial, vão diminuir muito o volume de tráfego nas avenidas Colombo e Morangueira. Acontecendo isso, automaticamente o número de acidentes vai cair”, afirma, referindo-se ao contorno oeste da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e ao ‘Contorno Norte de Maringá’.

Advogado especialista em trânsito, Marcelo José Araujo, que mora em Curitiba, diz que soluções práticas, como uma boa iluminação pública, vias devidamente sinalizadas e a preservação dos estacionamentos onde há grande fluxo de pedestres - esforços que estão surtindo bons resultados na capital - poderiam tornar o trânsito em Maringá mais seguro.

“Quando em determinada via você tira o estacionamento, cria-se a tendência de uma velocidade média maior, além de aproximar o pedestre ao veículo que circula. Ou seja, perde-se o ‘cordão de isolamento’ próximo à calçada”.

Conscientização

Especialistas apontam a mescla de Engenharia de Tráfego, Educação no Trânsito e fiscalização como a fórmula para um trânsito seguro.

Contudo, o comandante do Pelotão de Trânsito do 4° Batalhão de Polícia Militar de Maringá (4° BPM), tenente Roberto de França, destaca que qualquer esforço das autoridades tem pouco efeito quando não há conscientização da população.

No tocante à falta de Educação no Trânsito, explica o tenente, a associação de álcool e direção, bem como o excesso de velocidade, continuam entre as infrações que mais causam mortes no trânsito.

Durante a entrevista a O Diário, o tenente lembrou de um caso que demonstra o quanto o brasileiro é pouco responsável no trânsito.

“Um dia desses, participei de um evento onde foram tratadas todas essas questões de violência no trânsito, da preocupação de quantas pessoas morrem todos os anos, e do quanto o governo gasta com os resultados dessa violência. Ao final do evento, as mesmas pessoas que ficaram chocadas, com o filme que assistiram, estavam ali ingerindo bebida alcoólica”, recordou.

Por essas e outras, França aponta a aplicação de multas como a única solução, quando os motoristas não atendem às campanhas educativas.