O Diário do Norte do Paraná
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Aos 29 anos, a vendedora Josemari da Silva sente que tem facilidade com texto. Afinal, ela já escreveu romances, contos e crônicas, tem um livro pronto para publicação e já ganhou vários prêmios como principal leitora de livros da Biblioteca Pública de Maringá.

Daí a razão para querer entrar para o Curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e se aprimorar como escritora.

Ela é aluna do cursinho pré-vestibular gratuito ministrado por acadêmicos e professores da universidade e considera que seu apego às letras lhe dará vantagem na prova de Redação.

"Acredito que o candidato que tiver maior capacidade de entender as questões já começa com alguma vantagem. No cursinho que estudo, esse é um dos pontos altos e certamente eu e meus colegas teremos alguma facilidade sobre candidatos que não estão se preparando dentro das novas regras do vestibular da UEM", diz Jose.

O estudante Rodrigo Hideo Nagahama, de 18 anos, que já prestou quatro vestibulares e foi aprovado em um, prepara-se para superar mais de quatro mil concorrentes.

Ele se inscreveu para o curso de Medicina, que terá 204,2 candidatos por vaga, e por isso há meses não sabe o que é um domingo ou um feriado. Além das aulas em cursinho particular, estuda até oito horas por dia em casa.

Para ele pouco importa se as mudanças facilitam, pois o que o preocupa é a quantidade de concorrentes.

"Estamos sendo orientados a não nos apegarmos somente a disciplinas específicas, pois neste vestibular deve valer muito o conhecimento geral. Por isso, não são somente os livros didáticos e apostilas que entram como material de estudo, mas também a leitura de revistas e jornais, cinema e até os programas de TV em que são debatidos assuntos atuais", diz ele, que nesta sexta-feira passou a tarde estudando na cantina do Curso Nobel, mesmo não tendo aula.

Para a recepcionista Valéria Guimarães Cardozo, as mudanças nas regras do vestibular estão sendo uma arma dos cursinhos pré-vestibular de Maringá como diferencial para seus alunos.

Ela que já se graduou em Letras pela UEM, agora tenta voltar à universidade, mas para estudar Direito e terá pela frente 29,7 candidato por vaga. Fazendo um cursinho particular à noite e trabalhando durante o dia, tem pouco tempo para estudar, mas confia na vantagem de uma boa preparação.