Sidebar

20
Dom, Out

O Diário do Norte do Paraná
Tools

A psicóloga Maria Teresa Claro Gonzaga, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), conversou ontem com O Diário sobre filhos de casais separados, novas estruturas familiares e guarda compartilhada. Ela entende que a aprovação da proposta de guarda compartilhada é uma iniciativa interessante, mas que deve ser acompanhada de um processo de preparação de pais e mães envolvidos.

Maria Teresa acredita que a manutenção dos vínculos é um dos pontos positivos e que as crises que surjam dentro desse novo contexto devem ser enfrentadas com tranqüilidade. "A vida das pessoas não é evitar as crises, mas como elas serão encaradas. Não existe vida sem sofrimento", afirma.


O Diário - A guarda compartilhada á uma boa iniciativa?

Maria Teresa Claro Gonzaga - É muito legal e muito interessante, desde que os pais estejam preparados para isso. Não adianta o faz-de-conta, é preciso que exista um processo consensual. Tem que haver uma conscientização, o filho não pode ser usado nem por um lado nem por outro.

E, se existe qualquer problema entre pai e mãe, ele não pode ser transformado em problema entre pai e filho, ou mãe e filho. E é preciso saber respeitar e entender as crianças na sua tristeza e nas dificuldades decorrentes desse processo. Sempre de forma tranqüila.


- Qual é a principal virtude desse novo arranjo?

É dada à criança a possibilidade de ter o carinho do pai e da mãe, sem necessidade de cortar vínculos com ninguém, tendo um crescimento saudável e estando preparada para viver esses novos arranjos familiares.

A iniciativa é bacana, principalmente porque mostra que os novos arranjos familiares precisam ser assumidos e a sociedade deve se comprometer com essa nova realidade.


- Pais e mães estariam preparados para esse processo?

Do que eu vejo na minha atuação, na maioria dos casos ainda não estão, mas pode caminhar para isso. É preciso internalizar o processo, com maturidade. Principalmente porque temos estruturas familiares diferentes de alguns anos atrás.

Temos filhos de outros casamentos, uma madrasta e um padrasto que não substituem o pai ou a mãe, e isso tem que ser muito trabalhado para as crianças.


- A guarda compartilhada pode ajudar a minimizar os problemas causados à crianças pela separação do casal?

Os prejuízos de uma separação traumática são grandes para a criança. Não ter um vínculo bem sedimentado com o pai e a mãe atrapalha o crescimento e o desenvolvimento natural. E tudo depende de como os pais vão conduzir esse processo.

Se a separação for bem conduzida, onde não aconteçam brigas ou que essas brigas não sejam passadas para a criança, é mais simples. A separação deveria ser feita dentro de princípios, sem que a mãe usasse a criança contra o pai, ou vice-versa.


- O mais comum é que a separação seja conflituosa?

Não tenho números, mas os casos que meus alunos atendiam no trabalho com a assistência judiciária proporcionada pela universidade à população eram conflituosos, com a criança vivendo um turbilhão, o que acaba sendo um fator complicador.


- Para adolescentes, esse tipo de situação é mais simples de ser explicada e entendida?

Nunca é simples cortar vínculos, e a adolescência já é por si só uma fase complicada. E uma coisa é o lado racional da situação, outra é o afetivo. Mas se pais e mães tiverem respeito entre si e para com os filhos, isso é que é importante e já é um bom começo.

A vida das pessoas não é evitar as crises, mas como elas serão encaradas. Não existe vida sem sofrimento.