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O Diário do Norte do Paraná
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Grupo Samba Sim homenageia Cartola, em show neste fim de semana; o autor de clássicos como ‘As Rosas não Falam’ faria cem anos no dia 11 de outubro


 
Ouça "Acontece", com o Grupo Samba Sim

As comemorações do centenário de Cartola, em Maringá, terá início neste fim de semana.

O grupo londrinense Samba Sim fará uma homenagem ao cantor e compositor carioca com o show “O Mundo é um Moinho”, nome de uma das músicas mais famosas do sambista, que faria cem anos no dia 11 de outubro.

As apresentações na Oficina de Teatro da Universidade Estadual de Maringá (UEM) serão no sábado e domingo. Nos dois dias, os espetáculos começarão às 20 horas. Os ingressos custarão R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes).

Em “O Mundo é um Moinho”, o grupo formado por Rakelly Calliari (voz), Rafael Fuca (violão), André Gião (guitarra e cavaco), Filipe Barthen (baixo), Alexandre Malagutti e Thales Lemos (percussão) vai privilegiar canções lançadas no álbum “Cartola”, um clássico de 1974 e que foi o primeiro registro do compositor, então com 65 anos, em disco.

O álbum está recheado de clássicos da música brasileira, como “Alvorada”, “Corra e Olhe o Céu” e “Disfarça e Chora”, que ganham uma releitura no show do Samba Sim.

A apresentação também terá outros clássicos do compositor como “As Rosas Não Falam” e músicas de outros autores gravadas por Cartola, como “Escurinha” (Geraldo Pereira) e “Preciso me Encontrar” (Candeia).

O Samba Sim foi criado há cinco anos na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e interpreta músicas de grandes nomes do samba, além de músicas próprias.

Alguns dos projetos do grupo são temáticos com compositores ou interprétes de samba. Além de Cartola, já fizeram shows sobre Clara Nunes (apresentado ano passado na Temporada Universitária) e com os sambas de Djavan.

“É uma oportunidade para podermos nos aprofundar na discografia desses grandes nomes”, brinca Rakelly. “O próprio Cartola era uma lombriga musical antiga nossa e faz muito tempo que pensamos em trabalhar o repertório dele”.

Diferente

Angenor de Oliveira nasceu no dia 11 de outubro de 1908 e não terminou o Ensino Fundamental.

Foi tipógrafo, pedreiro, guardador de carros e contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, onde, reza a lenda, gostavam de chamá-lo para servir o café dizendo às visitas: “Quem está trazendo o cafézinho é o Cartola”.

Para os superiores era um motivo de orgulho, afinal Angenor, ou melhor Cartola, era compositor, poeta, sambista e um dos fundadores da escola de samba Mangueira.

Aquela pessoa que servia o café, humilde com os óculos escuros, era o autor de alguns dos mais belos versos da música brasileira em canções como “Acontece”, “O Mundo é um Moinho” e “Cordas de Aço” e que já foram regravados pelos grandes nomes da MPB e do samba.

“As músicas de Cartola fogem do convencional do samba, principalmente para a época em que foram escritas. É suscinto, elaborado, poético e tem uma riqueza harmônica que seduziu maestros, eruditos e os grandes interpretes da música brasileira”, diz Rakelly Calliari, vocalista do grupo Samba Sim, que fará a homenagem a Cartola neste fim de semana.

Com versos como “Quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre/ o meu sorriso é por consolação”, Cartola se tornou, para muitos, o maior sambista de todos os tempos.

Nos anos 30, os sambas dele foram popularizados em interpretações de ícones da época, como Francisco Alves, Mário Reis, Sílvio Caldas e Carmem Miranda.

Em 1940, Cartola desapareceu e, na época, acreditou-se até que tivesse morrido. Foi reencontrado em 1956 pelo jornalista Sérgio Porto trabalhando como lavador de carros. Porto levou Cartola a programas de rádio e o incentivou a voltar a compor.

Em 1964, junto com a esposa Zica, abriu um bar-restaurante muito popular no Rio de Janeiro: o Zicartola, que reunia a juventude e os sambistas do morro.

Em 1974, aos 65 anos, gravou o primeiro dos quatro discos solo e voltou a fazer sucesso com clássicos como “As Rosas Não Falam”, “Alvorada”, “Alegria” e “Sala de Recepção”.

Os sambas de Cartola o tornaram imortal. Foram gravados por nomes tão díspares como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Cazuza e Lobão, mas não lhe renderam um fim tranqüilo. Morreu, na miséria, em 30 de novembro de 1980 em uma casa doada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.