O Diário do Norte do Paraná
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Meteorologistas disseram que a tempestade de segunda-feira comum nesta época do ano e que o tempo de formação da chuva de granizo é muito curto

 

O meteorologista Fernando Mendes, do Instituto Tecnológico Simepar, foi o primeiro a ver na tela do computador na sala dele, na manhã de segunda-feira, em Curitiba, o prenúncio de uma chuva de granizo na região noroeste.

Como é comum nessas ocasiões, ele enviou um alerta à Defesa Civil, mas admite que não imaginava que aquelas nuvens que giravam na tela, entre Umuarama e Campo Mourão, seguindo para Maringá, causariam tantos estragos.

Ao final, o saldo da tempestade foi o destelhamento de mais de mil casas na região de Maringá. "A gente não tinha idéia do que poderia acontecer", reconheceu Mendes.

A virada no tempo que surpreendeu o meteorologista e pegou a população de surpresa, tem explicação no curto espaço de tempo para a identificação de que cairá granizo. "A formação de granizo ocorre de quatro a cinco horas antes da tempestade", explicou.

Apesar da surpresa, Mendes diz que os institutos de meteorologia e os governos estão preparados para alertar a população sobre as tempestades. "Os alertas são passados aos governos. Mas não dá para evitar uma tempestade", ponderou.

Histórico

A tempestade também surpreendeu a coordenadora da Estação Climatológica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Leonor Marcon da Silveira. "Nunca foi registrada uma precipitação tão forte assim", conta, referindo-se aos registros de 29 anos da estação.

A tempestade durou uma hora e 40 minutos. O granizo caiu durante cerca de dez minutos, formando uma camada de quatro centímetros de espessura sobre o solo ao redor da estação, localizada dentro do câmpus da UEM, na Zona 7.

"Essas tempestades são localizadas e provocam um grande estrago por onde passam", afirmou.

Estações propícias

Segundo os meteorologistas, o outono e a primavera são estações favoráveis para o surgimento de tempestades como da última segunda-feira.

No outono ocorre o encontro do calor típico do verão, que já passou, com a chegada do frio do inverno. Essa é a explicação para a tempestade que atingiu Maringá.

Já na primavera, ocorre o contrário: há o choque entre o frio remanescente do inverno e a chegada do verão.