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Sáb, Ago

O Diário do Norte do Paraná
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Bom momento do setor de vestuário faz com que donos de confecções busquem mão-de-obra especializada em meio aos cursos; formandos saem com diploma e emprego nas mãos


 

A dedicação nos estudos pode render um ótimo futuro profissional e fazer com que o emprego possa, sim, bater na sua porta. É o que está acontecendo com alunos dos cursos de Moda, ofertados em Maringá e Cianorte (a 85 quilômetros de Maringá). Empresários do setor do vestuário têm ido às universidades buscar referências de acadêmicos que ainda nem terminaram a faculdade.

Para ter uma oportunidade dessas, no entanto, é necessário estudar muito. É o que acredita o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindvest) de Maringá, Carlos Roberto Pechek. "Os empresários procuram os coordenadores dos cursos para saber quem se destacou. E quem realmente está fazendo o curso para trabalhar na área - e não somente para ter um diploma na mão ou conhecimento sobre o mundo da moda - tem mais chances de conseguir emprego."

A excelente fase que o setor atravessa é responsável pela ida do empresário, que necessita de mão-de-obra, às faculdades de Moda, que despejam anualmente cerca de 90 recém-formados no mercado. O presidente do Sindvest apóia a iniciativa. "Inclusive, eu até faço disso uma sugestão: que os empresários façam o contato com os coordenadores dos cursos e procurem essa mão-de-obra jovem nas faculdades."

O coordenador do curso de Moda do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), José Mário Martinez Ruiz, conta que já recebeu empresários na universidade, em busca de pessoal recém-formado na área. César Eduardo Mendonça foi um deles. A conversa com Ruiz resultou em dois recém-formados interessados na vaga de estilista.

Há cerca de 20 dias, Mendonça fez o anúncio da vaga de trabalho no site da faculdade. "Fiz as entrevistas de emprego com duas candidatas e, nesta semana, uma delas começou o período de três meses de experiência na fábrica." A indústria de Mendonça situa-se em Mandaguaçu (a 32 quilômetros de Maringá), produz três mil peças por mês de moda feminina e fitness e conta com 32 funcionários.

Nos cinco anos de existência da fábrica, somente este ano o empresário decidiu investir pesado na criação das roupas. "Procuramos estilistas porque queremos lançar as nossas coleções em sintonia com o lançamento das grandes marcas."

Situação semelhante acontece no curso de Moda da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no câmpus de Cianorte. O coordenador do curso, Ronaldo Salvador Vasques, diz que recebe cerca de 60 empresários do setor de vestuário, por ano, à procura de mão-de-obra. "É algo excelente. Ontem (quinta-feira), inclusive, recebi ligações de dois empresários", cita.

O aquecimento do mercado é tão visível, segundo Vasques, que as cerca de 500 confecções existentes em Cianorte absorvem todos os alunos formados no curso de Moda da instituição. Todos os 22 alunos que se formaram recentemente na universidade já estão trabalhando na área.


Negócio de família

A exigência dos consumidores, frente ao produto final, colocam na corda bamba as empresas familiares que não investem em mão-de-obra capacitada. Segundo o presidente do Sindvest de Maringá, até pouco tempo, a pessoa montava uma fábrica e era o próprio empresário ou alguém da família que cuidava da criação das coleções.

No entanto, com a exigência dos consumidores, é necessário que as indústrias apresentem um produto mais diferenciado. "Quem quiser se dar bem no mercado precisa da técnica de quem realmente estudou Moda", afirma Carlos Pechek.

Ronaldo Vasques conta que as empresas familiares precisam partir para a mão-de-obra proveniente dos cursos de Moda. "Mesmo que a pessoa já tenha conhecimento do ramo, é importante buscar informações fora", diz o coordenador de Moda da UEM. Informações essas trazidas por quem esteve quatro anos no banco de uma universidade.

Segundo Vasques, a moda está muito informatizada. Se não fizer curso, a marca não deslancha e nem se mantém no mercado.