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Sáb, Set

O Diário do Norte do Paraná
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Em tempos de conflitos com brasileiros na Espanha, oficina de castanholas na UEM traz para mais perto a cultura do país europeu; Universidade dará, também, curso de saxofone

 

A Espanha está sempre na mídia: os pintores, o cinema, a música, os atrativos turísticos.

Recentemente, também foram notícia os maus-tratos infringidos a brasileiros que, pelas oportunidades de emprego e pela facilidade com a língua (em relação a outros países da Europa), imigram com freqüência para lá.

Em Maringá, uma prova do interesse pela cultura espanhola é a oficina de toque de castanhola, promovida pela Diretoria de Cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Na coordenação do projeto, esta a engenheira civil e professora universitária nascida em Londrina e residente em Maringá, Máriam Trier, 32.

Uma das principais marcas espanholas é o flamenco, um estilo musical e um tipo de dança que hoje já se espalhou pelo mundo inteiro. A professora explica que essa oficina é uma tentativa de encontrar pessoas dispostas a formarem um grupo de flamenco na cidade.

Entre agosto e dezembro de 2007 ela ministrou uma oficina de Rumba Flamenca e, assim que acabar a de castanhola, começa uma sobre Sevilhanas, um dos tipos de dança flamenca.

“Todas as danças são divididas em oito tempos, o flamenco é dividido em 12. Dentro dele, existem mais de 20 ritmos, alegres e tristes. É uma arte complexa, difícil, não dá para se apresentar em três ou quatro meses de aula. Precisa de um tempo de preparação. A pessoa que assiste às vezes não tem essa noção”, comenta.

Máriam já era bailarina clássica quando começou a praticar o flamenco, aos 18 anos, como atividade secundária.

“As oficinas são uma opção para eu continuar a dançar. A minha intenção é divulgar um pouco da cultura espanhola para todas as classes e idades. O flamenco é muito rico como arte e eu acho que podia ser mais difundido. Outros ritmos, como o contemporâneo, o clássico, a dança de salão, o sapateado americano, são mais conhecidos”, justifica.

Ela explica que, como fez aula no Consulado da Espanha, na capital paranaense, aprendeu muito sobre a cultura do país e é isso que tenta transmitir aos alunos.

Riqueza

“O sul da Espanha, mais ou menos em 700 d.C., foi invadido pelos árabes. Eles estavam promovendo sua expansão pelo Mediterrâneo e invadiram a Península Ibérica, entrando pelo sul da Espanha. Naquela época, fizeram como capital a cidade de Córdoba e ali difundiram a sua cultura. Só que a Espanha já tinha sua cultura muito bem desenvolvida e os árabes começaram a ficar muito reprimidos. Então, começaram uma manifestação artística para demonstrar sua tristeza e resgatar suas raízes. O flamenco começou daí, sem o sapateado e sem o violão, mas uma coisa de roda de família, com movimentos muito introspectivos”, conta Máriam.

A influência dos ciganos e de outros países, inclusive latino-americanos, o sapateado, o violão e instrumentos de percussão, como o cajón, foram incorporados. Essa relação com árabes e ciganos fez com que o flamenco permanecesse por muito tempo na marginalidade.

“Só começou a ser difundido na Espanha no começo do século 20. Era mais praticado por pessoas com raízes no sul da Espanha. Até hoje, pessoas de Madri e Barcelona (que é mais ao norte) têm preconceito. Na Andaluzia, região específica do flamenco, o ritmo é dançado nas ruas, até pelos pedintes”, comenta.

Talvez não exista uma dança tão detalhista quanto o flamenco que, conforme explica a professora, trabalha cada elemento da linguagem corporal.

Os movimentos da cabeça, do ombro, dos braços, das mãos e do quadril devem ser, na mulher, suaves e sensuais. No homem, a força é fundamental. A expressão facial de ambos deve transmitir o sentimento e os dois têm o mesmo papel (não é uma dança em que o homem conduz a mulher).

“Se você assistir um grupo com 30 pessoas, o sapateado deles será igual, mas cada um vai ter uma expressão diferente”, ilustra. “Flamenco é emoção e sentimento”.

A roupa, sapato e os acessórios (brincos, chapéu, chale, mantilha, pente) também são cuidadosamente escolhidos. O movimento das saias também é muito importante.

“No flamenco moderno, os tecidos são mais finos, as roupas mais retas (com menos babados), os movimentos menos quebrados, com os braços mais esticados e novos instrumentos passaram a ser usados, como a flauta transversal”, complementa.

Segundo ela, o flamenco é “uma terapia completa”, que trabalha músculos da perna e das costas, além de trabalhar a coordenação motora, a disciplina e a musicalidade. “É gostoso, a pessoa fica feliz. A gente descarrega a energia no sapateado”, brinca.

As inscrições para a oficina de toque de castanhola terminariam nesta quinta-feira, mas foram prorrogadas até o dia 22, quando as aulas começam. Acadêmicos pagam R$ 10 e não-acadêmicos pagam R$ 15.

No conteúdo programático estão tópicos como história do instrumento, técnicas de toques, exercícios com os dedos, aquecimento das mãos, entre outros.

Para participar, é preciso levar as castanholas. Para quem ainda não tem, elas devem ser encomendadas em lojas de instrumentos musicais.

As aulas vão até o dia 22 de maio, toda terça e quinta, das 16 às 17 horas.

Serviço:

As inscrições para a oficina Toque de Castanhola podem ser feitas na Diretoria de Cultura da UEM, no bloco A-01, sala 9, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas.

Mais informações, pelo número de telefone (44) 3261-3878.