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Sáb, Ago

O Diário do Norte do Paraná
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Após resolver a prova de Biologia, do Vestibular de Verão, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizado no início da semana, o professor Ivan de Carvalho foi até à instituição para pedir a mudança de gabarito em quatro questões.

De acordo com ele, todas continham alternativas que foram consideradas certas ou erradas indevidamente. Uma comissão avaliou os apontamentos e julgou que em dois casos o professor tinha razão e no restante não. Carvalho não concorda com a negativa e ameaça entrar na Justiça.

No meio da briga estão o cientista inglês Charles Darwin e as mórulas.

Para provar que tem razão, o professor recorre a livros. Ele defende que está correto o item 16, da questão 13, do gabarito 1. A sentença diz que a lei do uso e do desuso está presente nas teorias de evolução propostas por Darwin e por Jean Baptiste Lamarck.

A presença está impressa em várias páginas da obra "A Origem das Espécies", escrita pelo inglês, em 1859.

No entanto, para a UEM, a alternativa é considerada incorreta porque é um ponto não contemplado pelos livros de Biologia do Ensino Médio. Além disso, o presidente da Central do Vestibular Unificado (CVU), Doherty Andrade, discorda da posição de Carvalho.

"Na teoria moderna, Darwin não aceita a lei do uso e do desuso."

A outra questão traz as mórulas como protagonistas. Na alternativa 1, da questão 6, do gabarito 1, os candidatos leram a seguinte afirmação: "A seqüência zigoto-mórula-blástula ocorre no desenvolvimento embrionário de todos os animais".

Para Carvalho, a questão não poderia estar mais errada, já que, para ele, três quartos de todas as espécies não passam pela fase da mórula. O professor conta que, em resposta ao pedido de mudança de gabarito, a UEM alegou que a seqüência está presente nos livros do Ensino Médio.

"Mas não é a presença que eu questiono", protesta.

"É do trecho 'todos os animais' que eu discordo."

O presidente do CVU diz que a mórula existe sim, mas de maneiras diferentes.

"Em umas espécies é mais achatada e, em outras, mais arredondada."

Carvalho afirma considerar o vestibular da UEM um dos melhores do País, mas, quando a instituição não assume os próprios erros, coloca a credibilidade do concurso em risco. Além disso, professores de colégios e cursinhos pré-vestibulares ficam em maus lençóis.

"Para os alunos, parece que eu ensino o conteúdo de maneira errada", justifica.

"Um dos vestibulares recentes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) considerou correta uma alternativa sobre a presença da lei do uso e desuso na teoria de Darwin."

O presidente do CVU acrescenta que Carvalho foi o único a reclamar das questões e que, ao todo, somente outras duas perguntas tiveram o resultado alterado.

Alternativa correta

A Assessoria de Imprensa da UEM informou, no fim da tarde desta sexta-feira, que uma banca externa à Comissão de Vestibular Unificado, composta de três professores doutores, especialistas na área de Biologia, decidiu manter como alternativa correta o item 16 da questão número 13 da prova de Biologia.

A banca, explicou a Assessoria, foi nomeada pelo presidente da Comissão de Vestibular Unificado, professor Doherty Andrade, em razão de questionamentos sobre a alternativa.