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Dom, Out

O Diário do Norte do Paraná
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Marivânia Conceição de Araújo
Professora doutora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM)


É sabido que durante toda a história o Brasil recebeu a contribuição dos afro-brasileiros, que nossa cultura tem fortes elementos da culinária, música, vocabulário, religiosidade, e da afetividade relacionados à cultura africana.

Dissertações e teses acadêmicas em diferentes áreas do conhecimento comprovam esses fatos. Dados dos IBGE mostram que a população brasileira é composta por 50% de indivíduos negros e pardos.

Segundo informações da PNAD, os afro-brasileiros perfazem a segunda maior nação negra do mundo, atrás somente da Nigéria. Mas, por que a população negra e parda não tem a visibilidade e o espaço na mesma proporção da sua importância histórica e cultural no Brasil?

A despeito do valor e capacidade já demonstrado pelo povo negro, seu mérito não é reconhecido nos livros didáticos ou na mídia, o que se torna, por exemplo, um problema para a auto-estima de crianças que não se vêem nesses livros, nos cargos de comando, nos postos políticos de maior prestígio ou como protagonistas das novelas e demais programas de TV. Sem dúvida, essa invisibilidade deve ser questionada.

A população negra ainda é vítima do preconceito racial, da discriminação, como conseqüência dessas mazelas, o negro não é selecionado para os melhores cargos no mercado de trabalho - mesmo quando está qualificado - recebe os mais baixos salários - como demonstram os recentes dados apresentados pelo IPEA -, quando está empregado tem mais dificuldade em ser promovido e nas escolas não recebe o mesmo tratamento que os alunos brancos e asiáticos.

Sim. Existe racismo no Brasil. O próprio Estado brasileiro já reconheceu esse trágico problema que, embora dissimilado e silencioso, pois poucos o assumem, afeta a vida de metade da nossa população.

Pessoas que são discriminadas em locais públicos geridos pela iniciativa privada ? como loja e restaurantes - e em órgãos públicos como hospitais, postos de saúde, escolas universidades, delegacias, etc.

A Constituição Nacional afirma que todos são iguais, independente da sua cor, sexo, etnia, religião, condição sexual, credo, porém no nosso cotidiano é possível perceber as desigualdades, os diferentes obstáculos impostos à população negra.

A invisibilidade do negro e a discriminação racial são algumas das razões para termos o Dia da Consciência Negra: 20 de novembro. Nesse dia podemos falar mais e nos fazer ouvir com maior atenção sobre a discriminação racial que não se trata de um problema exclusivo dos negros.

É vergonhoso para uma sociedade que se pretende boa e justa abrigar um sentimento tão mesquinho e anti-social como o preconceito. Nesse dia, deve-se falar, denunciar os atos de discriminação, mas principalmente, é preciso reivindicar junto aos órgão públicos, à iniciativa privada e à população em geral a punição dos atos discriminatórios e buscar ações efetivas que levem ao seu fim.

Outro motivo para festejarmos o dia 20 de novembro é a lembrança do herói brasileiro Zumbi dos Palmares. Herói que, durante a escravidão, lutou pela liberdade de seu povo.

Conquistou a sua liberdade e a de centenas de negros, índios e brancos, liderando uma grande comunidade durante décadas na Serra da Barriga em Alagoas.

Seu legado deve ser lembrado sempre, como o brasileiro forte, guerreiro, sonhador vitorioso, que conquistou a liberdade, sua história deve ser lembrada por aqueles que têm um sonho de justiça e que desejam dividí-lo com todos da sua pátria.

Comemorar o Dia da Consciência Negra é lembrar dos problemas raciais brasileiros, mais também dos nossos heróis negros, celebres em diversas áreas como a música com Cartola e Gilberto Gil, a engenharia com André e Luiz Rebouças, na literatura com Machado de Assis e Luiz Gama, na geografia com Milton Santos, no judiciário com Joaquim Barbosa, na política com Abdias do Nascimento, nos esportes com Diane dos Santos, Pelé e Robinho, entre tantos outros!

É dia de comemorar porque Zumbi dos Palmares vive no coração de cada brasileiro guerreiro que quer mudar para melhor o nosso querido Brasil. Viva Zumbi!