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Qua, Out

O Diário do Norte do Paraná
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Apesar de registrar ligeira queda no primeiro trimestre, a Bolsa de Valores continua com grande volatilidade e a tendência - segundo os especialistas - é que esse quadro persista até o final do ano, motivada pela crise nos Estados Unidos. Por conta desse quadro, há muita divergência em relação ao comportamento do Ibovespa até dezembro. Outros investimentos, como fundos DI (fundos de renda fixa que acompanham a taxa de juros do CDI) ou renda fixa tradicional apresentam expectativas de remuneração baixa (veja quadro nesta página).

Segundo o economista e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Joílson Dias, a instabilidade registrada no primeiro semestre vai continuar no segundo. "A bolsa brasileira acompanha, na maior parte do tempo, as bolsas internacionais", explica Dias. "Acho difícil ela descolar das demais no segundo semestre e começar a refletir o bom andamento da economia brasileira."

Joílson Dias comenta que a instabilidade está associada à crise na economia americana, que continua sendo aprofundada. "As políticas econômicas implementadas pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) ainda não surtiram efeito", ele avalia.

O economista alerta ainda que muitos bancos americanos de pequeno porte vão anunciar que possuem carteira de investimentos do mercado subprime (crédito imobiliário concedido a pessoas com histórico financeiro ruim). "Esta onda já está atingindo alguns setores da economia americana que produzem material de construção em geral. Que, por sua vez, vai estender para os demais setores, antes de ser resolvida a situação", aposta Dias.

Para o analista de investimentos Artur Felipe Fischer Pessuti, da Paraná Banco Asset Management (PAM), a expectativa é que o Ibovespa (que registrou queda de 5,26% no primeiro trimestre) feche o ano com alta de 18%. "Trabalhamos com um cenário em que a Bolsa continua instável e muito volátil no primeiro semestre", comenta Pessuti. "Mas deve melhorar, pois o impacto da redução de juros no mercado americano vai ser sentido no segundo semestre."

O analista entende que, por conta da bolsa brasileira estar muito atrelada a commodities (40% das ações), a tendência é de valorização. "Os países do Bric, querendo ou não, estão amenizando o impacto que teria a crise americana", salienta, referindo-se aos países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China).

Pessuti destaca também que há a possibilidade de entrada do Brasil no investment grade - selo fornecido por agências de risco internacionais e que atestam que o país tem qualidade de investimento. "O Peru acabou de ser classificado no investment grade, então a tendência é que o Brasil também entre", prevê.