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Além de celebrarem o Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio), pesquisadores entendem que, em vez de ser isolada e segregada, a pessoa com transtornos psíquicos precisa receber tratamento em liberdade

O Grupo de Estudos e Pesquisas Higiene Mental e Eugenia (Gephe), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), promoverá, nos dias 18 e 19 de maio, o evento "Diálogos entre teoria e práxis na atenção em saúde mental".

Direcionado a profissionais da área da saúde, estudantes e demais interessados, o evento, a ser realizado no auditório Dacese, câmpus universitário, a partir das 18h30 do dia 18, terá, na programação, um debate, e a exibição de um documentário, seguido de discussão.

O debate terá a participação da diretora das residências terapêuticas da Rede Pública de Saúde de Maringá, Aparecida Moreno Panhossi da Silva; e da coordenadora da Saúde Mental da Rede Pública de Saúde de Maringá, Maria Heloísa Cella, com a mediação da professora Maria Lucia Boarini, do Departamento de Psicologia (DPI) da UEM.

O cine-debate, com a mostra do documentário “Holocausto Brasileiro”, ocorrerá no dia 19, às 18h30, com a participação das professoras Daniele Ferrazza e Roselania Francisconi Borges, do DPI da UEM.

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Antimanicomial

Ao analisarem o fato de que, em 2017, completam-se algumas décadas da emergência da reforma psiquiátrica, os organizadores do evento relatam que "nestes árduos anos de luta tivemos importantes avanços no campo jurídico que propõe que as pessoas em sofrimento psíquico sejam cuidadas, tratadas no espaço aberto e comunitário, e assistidas por uma rede de atenção psicossocial em substituição ao hospital psiquiátrico".

Porém, dizem os organizadores, na contramão deste processo, "também convivemos com o jogo de poder que se trava no campo político, pela permanência do hospital psiquiátrico, tanto pelos empresários da loucura quanto pela produção social sobre a loucura, que entende que a pessoa com transtornos psíquicos precisa ser isolada, segregada, privada da liberdade". 

Neste processo em construção de uma rede de atenção psicossocial, o movimento da luta antimanicomial teve importante papel ao hastear a bandeira em defesa do tratamento em liberdade. "A data 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, não existe apenas para ser comemorada, mas para afirmar o compromisso daqueles que lutam pela efetivação da política nacional de saúde mental, em defesa do tratamento em liberdade, com dignidade das pessoas que vivem a experiência da loucura".

Gephe

O Grupo de Estudos e Pesquisas Higiene Mental e Eugenia (Gephe) visa promover um espaço de discussão sobre os avanços, as dificuldades e os desafios na implementação da rede de atenção psicossocial.

O Gephe é um grupo inscrito no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desde 1998, com o objetivo de pesquisar o ideário da higiene mental e da eugenia e seus desdobramentos nas instituições brasileiras, tais como saúde, educação, entre outras.

As inscrições para o evento, gratuitas, estão abertas. Os interessados em se inscrever antecipadamente podem fazê-lo enviando e-mail para "Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.". Eles receberão link para o preenchimento da inscrição.

Outras informações podem ser obtidas no site do Gephe ou do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPI), da UEM, que também está na promoção do evento.