O P I N I Ã O

 

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Tania Fatima Calvi Tait (*) 
No ano de 1976 começa o ensino de informática na UEM com o curso de Formação de Tecnólogo em Processamento de Dados. Na época o curso fazia parte de um programa nacional de formação de um profissional que pudesse contribuir para o crescimento de uma área que estava necessitando de mão-de-obra especializada.

Pioneiro em uma região notadamente agrícola, o curso logo chamou a atenção e o interesse de estudantes que resolveram prestar o vestibular, atraídos por uma área nova e promissora. Dessa forma, professores, funcionários e estudantes deram início a uma jornada que introduziu a área de informática na região.  
Inicialmente, os profissionais recém-formados ocupavam postos de trabalho nas cidades de Curitiba e São Paulo, as quais possuíam um mercado atraente. Especificamente em Maringá, existiam poucas empresas que tinham computador, portanto, era natural que outros mercados recebessem os recém-formados.  Estávamos nos anos 1970, época dos grandes computadores (“mainframes”)  e dos centros de processamento de dados. Não existia a rede mundial de computadores e nem os computadores pessoais.

Salienta-se que os cursos fornecidos pela UEM buscam capacitar os profissionais de forma integral ao compatibilizar conteúdos técnicos e sociais

Com o crescimento da área, o Departamento de Informática (DIN) da UEM optou pela criação do curso de Ciência da Computação e extinguiu paulatinamente o curso de Tecnólogo. Posteriormente foi criado, também, o curso de Bacharelado em Informática no período noturno para atender a uma demanda da sociedade por cursos da área tecnológica acessível aos estudantes que necessitam trabalhar.
Assim, o DIN mantém os dois cursos, sendo o Bacharelado de Informática voltado para a formação de desenvolvedores de software, enquanto que o curso de Ciência da Computação, além dessa formação, busca capacitar os alunos para atuar na área de sistemas de computação. Além dos cursos, o DIN também contribui com demais graduações da Universidade com disciplinas na área de computação e oferece a especialização em Desenvolvimento para Web em sua oitava turma.
A partir do ano de 2002, na busca por contribuir para a formação de recursos humanos e atuar na pesquisa em informática, é criado o mestrado em Ciência da Computação, que formou 93 mestres até o momento.
Em sintonia com o desenvolvimento da área de informática, estão sendo aprovados os cursos de Engenharia da Computação e de Engenharia de Controle e Automação.
Salienta-se que os cursos fornecidos pela UEM buscam capacitar os profissionais de forma integral ao compatibilizar conteúdos técnicos e sociais. Dessa forma, são incluídas nos currículos disciplinas que procuram analisar os aspectos sociais e éticos no desenvolvimento de produtos de software e equipamentos e no uso da tecnologia. Neste sentido, disciplinas como Informática e Sociedade, Trabalho Comunitário, Aspectos Psicológicos e Sociais da Informática, entre outras, contribuem para ampliar a visão do profissional formado aos abordar temas como ética em computação, uso da Internet e suas influências, vício eletrônico, revolução informacional, papel do profissional, entre tantos outros.
Tive o prazer em acompanhar e participar da evolução do ensino da informática na UEM, a partir do meu ingresso como acadêmica em 1979 e, posteriormente, como professora.
Guardamos a lição do esforço e da dedicação de professores para manutenção dos cursos em aspectos tais como adequação dos currículos às diretrizes da Sociedade Brasileira da Computação e atualização de equipamentos para o ensino. Essa última nem sempre facilitada pela falta de entendimento de que o computador é um instrumento para o aprendizado e não apenas utilitário para editor de texto ou planilha eletrônica. Pode parecer bobagem nos dias atuais, mas houve períodos em que, para atualizar os laboratórios de informática, se fazia necessário uma verdadeira batalha de convencimento pelo aumento da capacidade das máquinas para que nossos alunos e professores pudessem desenvolver os programas de computador.
Muitos desafios foram vencidos e muito ainda há por fazer. No entanto, fica a certeza da sintonia da área de informática da UEM em relação ao mercado, marcada pela inserção de nossos formados em empresas de renome nacional e internacional e em relação à pesquisa demonstrada pela inserção de seus professores nas diversas subáreas que compõem a informática.
Gostaria de aproveitar para parabenizar e agradecer o empenho de professores, funcionários e alunos que durante esses 35 anos deixaram sua marca na trajetória da informática na UEM.

* Professora Associada e chefe do Departamento de Informática